ESCALADA GLOBAL: GUERRA CONTRA O IRÃ TEM CUSTO ESTIMADO EM US$ 37,5 BILHÕES PARA OS EUA E AMEAÇA ROTAS DO PETRÓLEO E DA AVIAÇÃO
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
São Paulo, terça-feira, 21 de julho de 2026
Centro Histórico da Cidade de SP
Por Mário Marcovicchio
Os Estados Unidos estimam em US$ 37,5 bilhões o custo das operações militares contra o Irã. O valor foi apresentado pelo secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, durante audiência no Comitê de Apropriações do Senado. A estimativa, porém, não representa apenas despesas já pagas: ela também inclui custos previstos até 30 de setembro de 2026.
O governo do presidente Donald Trump pediu aproximadamente US$ 70 bilhões adicionais para as operações militares e outras necessidades de defesa. Paralelamente, parlamentares republicanos articulam um pacote mais amplo, de aproximadamente US$ 95 bilhões, que também contempla recursos para agricultura e mudanças na legislação eleitoral.
No mar, as ameaças atingem simultaneamente o Estreito de Ormuz e o Bab el-Mandeb, passagem estratégica que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Petroleiros já alteraram suas rotas, e viagens pelo Canal de Suez e pelo Cabo da Boa Esperança podem ganhar até quatro semanas adicionais, elevando gastos com combustível, fretes e seguros.
Na aviação, companhias continuam suspendendo ou adiando voos para cidades do Oriente Médio. A Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação reforçou o alerta para que empresas evitem diferentes espaços aéreos da região devido ao risco de ataques e de identificação equivocada de aeronaves civis pelos sistemas militares de defesa.
LEITURA INTEGRAL
A escalada militar no Oriente Médio entrou em uma nova fase de pressão financeira, energética e logística.
Durante audiência realizada nesta terça-feira, 21 de julho, no Comitê de Apropriações do Senado dos Estados Unidos, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, informou que a guerra contra o Irã representa um custo estimado de US$ 37,5 bilhões para Washington.
O número supera em quase US$ 8 bilhões a estimativa pública anterior. Segundo Hegseth, a conta considera determinados gastos já realizados e despesas previstas até o encerramento do atual ano fiscal norte-americano, em 30 de setembro. A forma detalhada de cálculo, entretanto, ainda não foi integralmente apresentada pelo Pentágono.
PENTÁGONO PEDE NOVOS RECURSOS
Hegseth advertiu aos senadores que, sem uma injeção urgente de recursos, as Forças Armadas poderão enfrentar dificuldades para manter treinamentos, operações e estoques estratégicos.
O governo Trump busca aproximadamente US$ 70 bilhões adicionais relacionados à guerra e às necessidades de segurança nacional. A proposta está inserida em uma negociação maior no Congresso, onde republicanos apresentaram um pacote de aproximadamente US$ 95 bilhões.
Esse pacote não é destinado exclusivamente ao conflito. Além dos recursos militares e de segurança, o projeto inclui verbas para produtores rurais e alterações relacionadas às regras eleitorais norte-americanas.
O Pentágono sustenta que o dinheiro será necessário para preservar a prontidão das tropas, financiar operações e recompor estoques de mísseis, interceptadores e outras munições utilizadas desde o início das hostilidades.
ESTREITO DE ORMUZ SOB PRESSÃO
A guerra também colocou o comércio internacional diante de um dos seus maiores riscos recentes: a instabilidade no Estreito de Ormuz.
A passagem liga o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia e é uma das principais rotas mundiais de exportação de petróleo e gás. Ataques, ameaças e restrições à circulação de embarcações provocaram uma redução expressiva do tráfego e elevaram os custos dos seguros marítimos.
Mesmo sem um bloqueio absoluto, ataques esporádicos e o risco de novas ofensivas podem ser suficientes para afastar embarcações comerciais e tornar a travessia economicamente inviável para determinados operadores.
MAR VERMELHO SE TORNA SEGUNDO PONTO DE ESTRANGULAMENTO
A situação ficou ainda mais delicada depois que o grupo houthi, do Iêmen, anunciou um bloqueio contra embarcações ligadas à Arábia Saudita na região do Bab el-Mandeb.
O estreito conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e integra a rota entre a Ásia e a Europa pelo Canal de Suez. Aproximadamente 12% do comércio mundial e cerca de um quarto do transporte global de contêineres passam por essa área.
Petroleiros que transportavam petróleo saudita já foram obrigados a inverter o curso ou avaliar trajetos alternativos.
Em determinados casos, os navios precisam navegar em direção ao Canal de Suez, atravessar o Mediterrâneo e posteriormente contornar o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança. Dependendo do destino, o desvio pode acrescentar até quatro semanas ao percurso.
A alteração aumenta:
— o consumo de combustível;
— o tempo de entrega;
— o custo dos seguros marítimos;
— o preço dos fretes;
— a pressão inflacionária sobre mercadorias e matérias-primas.
A combinação de problemas em Ormuz e Bab el-Mandeb ameaça simultaneamente duas das mais importantes passagens marítimas do planeta.
AVIAÇÃO CIVIL TAMBÉM ESTÁ SOB RISCO
O conflito não afeta apenas os navios. A aviação comercial enfrenta cancelamentos, desvios e restrições de espaço aéreo.
Em 14 de julho, a Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação reforçou sua orientação para que companhias evitassem os espaços aéreos do Bahrein, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e a região do Golfo de Omã.
O órgão também manteve a recomendação para que aeronaves não operem sobre o Irã, Iraque e Líbano. Entre os riscos apontados estão ataques com mísseis e drones e a possibilidade de aeronaves civis serem confundidas com alvos militares pelos sistemas de defesa aérea.
Diversas empresas internacionais mantêm voos suspensos ou adiados para destinos como Dubai, Abu Dhabi, Doha, Tel Aviv, Beirute, Amã, Riade, Teerã e Bagdá. Algumas interrupções estão programadas para permanecer até setembro ou outubro, embora a situação possa mudar rapidamente.
A Associação Internacional de Transporte Aéreo estima que a guerra e a alta dos combustíveis reduzirão pela metade a lucratividade mundial das companhias aéreas em 2026.
A previsão de lucro líquido do setor caiu de US$ 41 bilhões para aproximadamente US$ 23 bilhões. O preço do combustível de aviação subiu fortemente, enquanto desvios de rotas aumentaram o tempo de voo e o consumo das aeronaves.
ITAMARATY DESACONSELHA VIAGENS
Diante do agravamento da crise, o Ministério das Relações Exteriores atualizou suas orientações aos brasileiros.
O Itamaraty recomenda não viajar para:
— Irã;
— Israel;
— Sul do Líbano;
— Faixa de Gaza;
— Iêmen.
O governo brasileiro também recomenda evitar viagens não essenciais para:
— Cisjordânia;
— Síria;
— Iraque;
— Jordânia;
— Catar;
— Kuwait;
— Emirados Árabes Unidos;
— Bahrein;
— Arábia Saudita.
Não se trata de uma proibição legal de viajar, mas de uma recomendação oficial de segurança.
Brasileiros que já estejam nesses países devem acompanhar permanentemente os comunicados das embaixadas e consulados, evitar deslocamentos desnecessários e confirmar diretamente com as companhias aéreas a situação de voos e conexões antes de seguir para os aeroportos.
CRISE PODE CHEGAR AO PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS E DOS ALIMENTOS
O prolongamento da guerra pode gerar impactos muito além do Oriente Médio.
A elevação do preço do petróleo interfere diretamente nos custos de transporte terrestre, marítimo e aéreo. Fretes mais caros também podem atingir alimentos, produtos industrializados, fertilizantes e matérias-primas.
Caso as restrições em Ormuz e no Mar Vermelho permaneçam, empresas poderão ser obrigadas a manter rotas mais longas, aumentar estoques e repassar parte dos gastos adicionais aos consumidores.
A ausência de uma perspectiva concreta para o encerramento dos confrontos mantém governos, companhias aéreas, transportadoras marítimas e mercados financeiros em alerta máximo.
O Jornal25News – Independente continuará acompanhando a evolução da guerra, as negociações diplomáticas e seus efeitos sobre a economia mundial, a aviação, o preço do petróleo e a segurança dos brasileiros no exterior.
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