Centro Histórico de São Paulo, 27 de maio de 2026.
Se você já passou pela dor indizível de perder um ente querido e, no momento de maior fragilidade da sua vida, quase caiu para trás ao se deparar com as taxas abusivas e os preços extorsivos, cobrados pelos cemitérios privatizados de São Paulo, prepare-se para ver sua indignação virar caso de polícia.
O Ministério Público estadual acaba de ampliar uma investigação de tirar o fôlego que joga luz sobre o submundo das concessões funerárias na maior metrópole do país. O alvo da vez é a concessionária Cortel SP — que abocanhou a gestão de cemitérios históricos da capital —, sob suspeita de manter ligações perigosas e ocultas com o grupo Master.
A suspeita é de que o direito sagrado do povo trabalhador de enterrar seus mortos com dignidade, foi transformado em um balcão de negócios bilionário, onde o lucro de empresários vale muito mais do que o respeito ao luto das famílias.
A ENGRENAGEM DO FATO: A engrenagem desse escândalo começou a rodar após a polêmica privatização do serviço funerário paulistano, realizada sob a promessa de modernização e melhoria das estruturas. No entanto, o que o cidadão de bem viu na prática, foi o surgimento de um verdadeiro monopólio privado que inflacionou o preço de caixões, velórios e taxas de sepultamento.
Agora, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social, decidiu aprofundar as investigações para mapear a real estrutura societária e os fluxos financeiros por trás da Cortel SP. Os promotores apuram se há uma ocultação de controle e possíveis práticas de cartelização, ou direcionamento de mercado que violam os contratos de concessão pública.
O foco está na suposta ligação da concessionária com o grupo Master, o que poderia configurar uma concentração ilícita de mercado, destinada a eliminar a concorrência e ditar preços de forma arbitrária. Enquanto as famílias mais pobres da periferia, enfrentam humilhações e barreiras burocráticas intransponíveis para conseguir a gratuidade de sepultamento garantida por lei, as empresas investigadas faturam alto explorando o sofrimento alheio nos momentos mais trágicos.
VOZES E ANÁLISE: Para quem vive na periferia de São Paulo, a privatização dos cemitérios municipais virou sinônimo de pesadelo e exclusão social. O trabalhador que rala o mês inteiro para pagar as contas básicas, não tem como arcar com os valores astronômicos, exigidos pelas novas concessionárias para um enterro simples.
“Antes da privatização, a gente sabia que era humilde, mas tinha o direito de enterrar nossos parentes sem se endividar por anos. Hoje, o cemitério parece um hotel de luxo que só quer saber de dinheiro. Se você não tem cartão de crédito com limite alto, tratam você como lixo. É revoltante ver o Ministério Público descobrindo que, por trás de toda essa pose de modernidade, pode ter uma máfia operando para enriquecer às custas da nossa dor”, desabafa o aposentado Manoel de Oliveira, de 67 anos, morador da Zona Leste da capital. Especialistas em direito administrativo, apontam que a falta de agências reguladoras municipais fortes e atuantes, permitiu que as concessionárias operassem em uma espécie de “terra sem lei”, onde o cidadão consumidor fica completamente desprotegido.

DADOS OFICIAIS:
- Foco da Investigação: Suposto cartel, irregularidades societárias e conexões financeiras ocultas entre a concessionária Cortel SP e o grupo Master.
- Base Legal: Inquérito Civil instaurado pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
- Cemitérios sob Gestão: A Cortel SP administra cemitérios públicos cruciais na capital, incluindo Araçá, Dom Bosco, Santo Amaro, Vila Nova Cachoeirinha e Consolação.
- Impacto Social: Reclamações generalizadas na Ouvidoria do Município sobre aumento abusivo de preços, venda casada de serviços funerários e negação sistemática de sepultamentos gratuitos para famílias vulneráveis.
O RIGOR DA LEI: Não podemos aceitar de cabeça baixa, que a dor e a morte sejam tratadas como mercadorias de especulação financeira por cartéis disfarçados de prestadores de serviço público. O respeito aos nossos antepassados e a dignidade das famílias no momento do luto, são valores inegociáveis que o Estado tem o dever constitucional de proteger com unhas e dentes.
A cobrança sobre a Prefeitura de São Paulo e o Tribunal de Contas do Município (TCM), deve ser implacável para que fiscalizem esses contratos de concessão com lupa e rigor extremo.
Se as investigações do Ministério Público comprovarem qualquer fraude societária, direcionamento de licitação ou abuso de poder econômico, as concessões da Cortel SP devem ser imediatamente cassadas, e os bens dos envolvidos bloqueados para ressarcir a população lesada.
A lei de concessões e o Código de Defesa do Consumidor precisam ser aplicados com mão de ferro: quem brinca com a dor das famílias trabalhadoras e mercantiliza o momento do último adeus, merece o banco dos réus e a punição mais dura que a Justiça puder aplicar.
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Por Mário Marcovicchio – Jornal25News
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, Terça-Feira, 09 de Setembro de 2025.
O drama de quem perde e ainda precisa negociar a morte
“Quando minha mãe faleceu no hospital, recebi um papel com quatro funerárias. Além da dor, fui obrigada a cotar preços, como se estivesse comprando um produto qualquer. O serviço básico é desestimulado, o caixão é ridicularizado como ‘fraco’, e o tempo de luto vira um tempo de negociação”, denuncia a Sra. MARIA.
O relato expõe a face mais cruel da privatização dos serviços funerários em São Paulo: famílias enlutadas tendo que brigar por preços mínimos, enfrentar persuasões de vendedores e lidar com burocracias que transformam a dor em comércio.
As concessões e o salto nos preços
Em março de 2023, a Prefeitura de São Paulo concedeu a gestão de 22 cemitérios públicos e 1 crematório a quatro empresas privadas.
Antes da privatização, segundo o Sindsep, um pacote popular custava cerca de R$ 428. Hoje, esse valor ultrapassa R$ 1.494, um aumento superior a 300%. Famílias de baixa renda ficaram sem saída, empurradas para planos abusivos.
A reação judicial e a liminar de Flávio Dino
O escândalo chegou ao STF. Em novembro de 2024, o ministro Flávio Dino determinou que os preços retornassem ao patamar pré-privatização, atualizados pelo IPCA. A decisão apontava violação da dignidade humana e do acesso universal a serviços públicos.
Em março de 2025, novas exigências foram impostas: a Prefeitura teria de responder denúncias em até 30 dias, divulgar de forma clara quem tem direito à gratuidade e garantir canais 24h de reclamação.
Escândalos e falhas operacionais
Relatórios do TCM-SP identificaram entulho, jazigos vandalizados e até ossadas expostas. Houve casos de desaparecimento de restos mortais, portões de casas aproveitados em muros de cemitérios e denúncias de alagamentos.
Em janeiro de 2025, surgiram denúncias de cobranças abusivas de tanatopraxia por empresas como Grupo Maya e Velar. Ambas negaram, mas a própria SP Regula e a Prefeitura afirmaram que investigariam.
CPI engavetada
Diante das denúncias, parlamentares do PSOL protocolaram a abertura de uma CPI para investigar o sistema funerário. Até hoje, segue engavetada. O silêncio do Legislativo municipal escancara a falta de prioridade diante de um problema que afeta milhares de famílias paulistanas.
Indignação popular: luto transformado em negócio
Os relatos se acumulam: famílias obrigadas a aceitar planos de R$ 5.000 em momentos de desespero; serviços ditos 24h que simplesmente não funcionam; atendimentos fechados em plena madrugada.
O impacto humano é devastador: ao invés de prantear seus mortos, as famílias gastam horas discutindo preços e tentando não serem enganadas.
Conclusão: o luto não pode ser mercadoria
Os serviços funerários de São Paulo se transformaram em um mercado onde a dor é explorada sem limites. A Prefeitura terceirizou, as concessionárias lucram, e quem paga a conta é a população.
É urgente a instalação de uma CPI na Câmara Municipal para apurar irregularidades, contratos e abusos. Não se trata apenas de fiscalização financeira: é a defesa da dignidade no momento mais frágil da vida humana.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que a privatização dos cemitérios públicos em São Paulo, trouxe melhorias reais para a população ou apenas transformou o luto do trabalhador, em um negócio abusivo e sem fiscalização para favorecer grandes grupos empresariais?
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