Por que tantos técnicos são demitidos rapidamente no futebol brasileiro?
Pressão por resultados, calendário intenso e cultura de imediatismo ajudam a explicar a alta rotatividade de treinadores no país
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, sexta-feira, 06 de março de 2026
Por Arianne Marcovicchio | Jornal25News – Independente

O futebol brasileiro é conhecido por sua paixão, rivalidade e intensidade. No entanto, também chama atenção um fenômeno recorrente: a rápida demissão de treinadores. Em muitas temporadas do Campeonato Brasileiro, vários clubes trocam de técnico antes mesmo da metade da competição, criando uma verdadeira “dança das cadeiras” nos bancos de reservas.
Dados recentes mostram o tamanho desse problema. No Brasileirão de 2025, por exemplo, 18 treinadores já haviam sido demitidos em apenas 24 rodadas, número que superou toda a edição de 2024, quando ocorreram 17 trocas ao longo do campeonato inteiro.
Em outro levantamento, o campeonato chegou a registrar 19 demissões até a 25ª rodada, com 13 clubes tendo trocado de treinador ao menos uma vez na competição.
Esses números mostram que a instabilidade é praticamente parte da cultura do futebol brasileiro.
Pressão imediata por resultados
Um dos principais fatores para a rápida demissão de treinadores é a forte pressão por resultados. Diferentemente de ligas europeias, onde técnicos costumam ter mais tempo para desenvolver projetos, no Brasil uma sequência de derrotas pode ser suficiente para a troca no comando.
Dirigentes, torcedores e imprensa cobram resultados imediatos, especialmente em clubes grandes. Assim, quando o desempenho não corresponde às expectativas, a demissão do treinador costuma ser vista como a solução mais rápida para tentar mudar o cenário.
Calendário pesado do futebol brasileiro
Outro problema apontado por especialistas é o calendário extremamente cheio. Os clubes disputam campeonatos estaduais, competições nacionais e torneios continentais no mesmo ano, o que gera uma grande quantidade de jogos em pouco tempo.
Com poucos dias para treinar e recuperar os atletas, o rendimento das equipes pode oscilar, aumentando ainda mais a pressão sobre os treinadores.
Instabilidade maior que em ligas europeias
Estudos também mostram que a rotatividade de treinadores no Brasil é maior do que nas principais ligas da Europa. Um levantamento do CIES Football Observatory apontou que o tempo médio de permanência de técnicos no futebol brasileiro é menor do que em campeonatos como o espanhol, inglês ou alemão.
Além disso, em alguns períodos apenas seis clubes conseguem terminar o Brasileirão com o mesmo técnico que iniciou a temporada, o que evidencia a falta de estabilidade nos projetos esportivos.
Cultura do futebol brasileiro
Outro elemento importante é a própria cultura do futebol no país. Muitos dirigentes preferem mudar o treinador rapidamente para demonstrar reação à torcida e à imprensa.
Especialistas apontam que essa prática pode ser prejudicial ao desenvolvimento das equipes, já que cada treinador possui uma filosofia de jogo diferente. Com mudanças constantes, os jogadores precisam se adaptar a novos métodos e estratégias em curtos períodos.
Um problema histórico
A alta rotatividade de treinadores não é algo recente. O Brasileirão já registrou temporadas com mais de 30 trocas de comando, como ocorreu em 2010.
Mesmo anos depois, a instabilidade continua sendo uma marca do futebol brasileiro, mostrando que o problema está mais relacionado à estrutura e à cultura de gestão dos clubes do que apenas aos resultados dentro de campo.
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