O ortopedista Dr. Ricardo Kfouri, chefe do Serviço de Ortopedia do Hospital Sírio-Libanês e um dos maiores especialistas em osteoporose e saúde óssea do Brasil, alertou sobre o hábito cotidiano que ele considera o principal assassino silencioso da densidade óssea na população adulta brasileira atual: o consumo crônico e elevado de refrigerantes à base de cola (e outras bebidas com ácido fosfórico).
Segundo o médico, esse é o fator número 1 que ele observa na prática clínica entre pacientes entre 35 e 65 anos que chegam com fraturas por fragilidade, perda rápida de massa óssea ou diagnóstico precoce de osteopenia/osteoporose — mesmo sem histórico familiar forte ou menopausa precoce.
Por que o refrigerante de cola é tão destrutivo para os ossos?

Dr. Kfouri explica os mecanismos principais comprovados por dezenas de estudos (meta-análises na American Journal of Clinical Nutrition, Osteoporosis International e Journal of Bone and Mineral Research):
- Ácido fosfórico em alta concentração
- Cada lata de 350 ml de refrigerante cola contém cerca de 50–60 mg de fósforo na forma de ácido fosfórico.
- O excesso de fósforo no sangue força o corpo a retirar cálcio dos ossos para equilibrar a relação cálcio-fósforo no plasma (homeostase).
- Estudos mostram que consumir >400 mg/dia de fósforo extra (equivalente a 2–3 latas) aumenta a excreção urinária de cálcio em 30–60 mg/dia — perda que não é compensada pela dieta na maioria das pessoas.
- Cafeína + baixo teor de cálcio
- A cafeína presente (30–40 mg por lata) aumenta a eliminação de cálcio pela urina.
- Quem substitui leite ou iogurte por refrigerante perde fontes naturais de cálcio e vitamina D, criando duplo prejuízo.
- Efeito cumulativo ao longo dos anos
- Quem consome 1–2 latas por dia desde a adolescência pode chegar aos 40–50 anos com 10–20% menos massa óssea do que o esperado para a idade (estudo longitudinal de 25 anos da Universidade de Harvard, 2024).
- Mulheres pós-menopausa e homens acima de 50 anos são os mais vulneráveis — perda de 1–2% ao ano vira 3–5% com consumo crônico de cola.
- Outras bebidas com ácido fosfórico
- Energéticos, algumas águas com gás saborizadas, refrigerantes sabor cola genéricos e certos chás gelados industrializados também contêm o ácido — mas a cola clássica lidera com folga.
Quem está mais em risco?

De acordo com o ortopedista, os grupos mais afetados em sua prática clínica são:
- Jovens adultos (18–35 anos) que trocaram água e leite por refrigerante desde a adolescência.
- Mulheres entre 35–55 anos (pré e pós-menopausa) que bebem 2–4 latas/dia.
- Homens sedentários de 40–60 anos que consomem refrigerante como principal bebida.
- Atletas de endurance que usam cola como fonte rápida de carboidrato (efeito duplo: cafeína + ácido fosfórico).
O que fazer para proteger os ossos?
Dr. Kfouri deixou recomendações práticas e baseadas em evidências:
- Corte ou reduza drasticamente refrigerantes à base de cola (máximo 1 lata por semana).
- Substitua por água, água com gás sem sabor, chá sem açúcar ou leite vegetal fortificado.
- Garanta 1.000–1.200 mg de cálcio alimentar/dia (leite, iogurte, queijo, sardinha, brócolis, couve, linhaça).
- Mantenha vitamina D adequada (exposição solar + suplementação se necessário).
- Faça musculação progressiva 2–3 vezes por semana — o estímulo mecânico é o principal fator de manutenção da densidade óssea.
- Avalie densitometria óssea a partir dos 50 anos (mulheres) ou 60 anos (homens), ou antes se houver fatores de risco.
O recado do especialista é direto: “Não é o refrigerante que mata os ossos de uma vez — é o hábito diário que vai corroendo silenciosamente por 20–30 anos. Quando a fratura aparece, o dano já está feito. O maior vilão não é a idade; é o que colocamos no copo todos os dias.”
O Jornal 25News reforça o alerta: em um país onde o consumo médio de refrigerante é de ~40 litros por pessoa/ano (um dos maiores do mundo), trocar a lata de cola por água pode ser uma das decisões mais baratas e poderosas para proteger a saúde óssea a longo prazo. Porque, no final, o que parece inofensivo pode ser o maior ladrão silencioso da sua mobilidade futura.
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