Sim, o que muita gente chama hoje de “insônia de manutenção” (acordar entre 2h e 4h da manhã e demorar para voltar a dormir) não é necessariamente um distúrbio moderno — pode ser, em grande parte, o ritmo de sono bipartido (ou “segmentado”) que foi o padrão humano durante a maior parte da história da espécie, antes da iluminação artificial generalizada.
O que a história e a ciência mostram

- Sono bipartido era a norma até o século XIX
- Documentos médicos, diários, literatura, atas de tribunal e relatos de viajantes europeus dos séculos XVI a XIX descrevem rotineiramente que as pessoas dormiam em dois blocos:
- “Primeiro sono” (ou “sono morto” / “dead sleep”) → início da noite até ~23h–1h
- Período de vigília de 1–3 horas (chamado de “watch”, “veille”, “dorveille” em francês antigo)
- “Segundo sono” até o amanhecer
- Durante essa vigília intermediária as pessoas rezavam, faziam sexo, conversavam com o parceiro, pensavam na vida, escreviam, liam à luz de vela, visitavam vizinhos ou simplesmente ficavam deitadas refletindo. Era considerado normal e até saudável.
- Documentos médicos, diários, literatura, atas de tribunal e relatos de viajantes europeus dos séculos XVI a XIX descrevem rotineiramente que as pessoas dormiam em dois blocos:
- A luz artificial mudou tudo
- A partir do século XIX (lampiões a gás → eletricidade doméstica no século XX), as pessoas começaram a ficar acordadas até mais tarde.
- A luz elétrica comprimiu o sono em um bloco único de 7–8 horas ininterruptas, que passou a ser visto como o “normal” biológico.
- Quem acordava no meio da noite passou a ser diagnosticado como “insone” — e não como alguém que estava retornando a um padrão ancestral.
- Evidências científicas modernas (2020–2026)
- Experimentos clássicos de Thomas Wehr (NIH, 1992, replicados várias vezes até 2024): Voluntários em escuridão total de 14 horas/dia (sem luz artificial) voltaram espontaneamente ao sono bipartido após 3–4 semanas. Acordavam por 1–3 horas no meio da noite, com níveis elevados de prolactina (hormônio ligado à calma e reflexão).
- Estudos de 2023–2025 (Universidade de Colorado, Universidade de Haifa, King’s College London) mostram que:
- Pessoas sem exposição à luz azul à noite tendem a apresentar sono segmentado natural.
- Acordar por volta das 2h–4h está associado a maior atividade no córtex pré-frontal dorsolateral e rede de modo padrão — ou seja, o cérebro entra em estado de ruminação criativa e processamento emocional durante essa janela.
- Pesquisa genética (2024–2026): variantes em genes do relógio circadiano (PER2, CLOCK) estão mais presentes em populações que mantiveram estilos de vida tradicionais sem luz artificial noturna.
Por que isso importa

- A maioria das pessoas que acorda às 3h da manhã não tem insônia patológica — tem um relógio biológico que ainda “lembra” o padrão bipartido.
- O problema surge quando tentamos forçar o sono contínuo: ansiedade, culpa (“não consigo dormir”), uso de telas para “voltar a dormir” → ciclo vicioso que realmente vira insônia.
- Especialistas em sono (Matthew Walker, Andrew Huberman, Guy Meadows, entre outros) em 2025–2026 passaram a recomendar:
- Aceitar o despertar noturno como normal (se durar <1h e não gerar angústia).
- Usar esse intervalo para atividades calmas e sem luz azul (ler livro físico, meditação, journaling, oração, sexo).
- Não olhar o relógio nem ligar o celular — isso sinaliza para o cérebro que “o dia começou”.
Em março de 2026, o que antes era chamado de “insônia de manutenção” está sendo cada vez mais ressignificado como “herança bipartida” ou “sono bifásico natural”. A ciência e a história mostram que dormir 8 horas seguidas é, na verdade, uma construção cultural recente — não uma lei biológica imutável.
Se você acorda por volta das 3h e demora para voltar a dormir, experimente não lutar contra isso. Aceite o intervalo, faça algo tranquilo e sem luz forte, e volte a dormir quando o corpo pedir. Muita gente descobre que, paradoxalmente, para de se preocupar com o despertar — e dorme melhor.
Porque, no fundo, talvez o maior problema não seja acordar às 3h da manhã. Talvez o maior problema seja achar que isso é errado.
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