Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 22 de outubro de 2026.
Quando vemos o dinheiro dos nossos impostos ser direcionado para iniciativas que buscam romper o ciclo crônico da miséria por meio do trabalho e da qualificação é uma exigência inegociável de quem sustenta a máquina pública. O modelo adotado pelo estado de São Paulo para combater a vulnerabilidade social extrema ultrapassou as fronteiras estaduais e foi levado aos holofotes da diplomacia internacional. O governo paulista apresentou os resultados e a metodologia do programa SuperAção SP durante o Fórum Ministerial sobre Desenvolvimento Social da América Latina e do Caribe, realizado na Cidade do Panamá.
O encontro reuniu cerca de 60 delegações governamentais de diversos continentes, além de lideranças do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), organismos da ONU focados na redução das desigualdades estruturais. A iniciativa paulista, que conta com cofinanciamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), foi posicionada como referência de transição entre o assistencialismo emergencial e a emancipação produtiva de comunidades periféricas.
A ENGRENAGEM DO FATO: O programa estrutura sua atuação na superação da pobreza multidimensional por meio de um acompanhamento direto e individualizado. Em vez de limitar-se a repasses pontuais de recursos, o SuperAção SP articula equipes de campo municipais e os chamados Agentes de SuperAção, responsáveis por realizar busca ativa nas regiões mais desassistidas e construir, junto a cada núcleo familiar, um plano específico de metas e capacitação.
A estratégia atende famílias cadastradas no CadÚnico que possuam renda familiar per capita inferior a meio salário-mínimo, com atenção prioritária a lares chefiados por mulheres sozinhas e indivíduos em situação de insegurança alimentar grave. O percurso é dividido em etapas integradas que vão da proteção social e suporte básico até a qualificação técnica e intermediação de mão de obra formal ou apoio ao microempreendedoríssimo comunitário. Atualmente em expansão acelerada, a iniciativa já abrange 48 municípios paulistas, combinando assistência social técnica a estímulos financeiros condicionados ao cumprimento de metas profissionais e educacionais.
VOZES E ANÁLISE: A secretária de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo, Andrezza Rosalém, representou a administração estadual na Mesa 3 do fórum, dedicada ao tema da mobilidade social diante das
transformações do mercado de trabalho. Durante sua fala perante as delegações estrangeiras, a gestora enfatizou que a vulnerabilidade contemporânea exige abordagens mais profundas do que a mera oferta burocrática de serviços estatais. “Não basta disponibilizar políticas e oportunidades no papel. É preciso criar condições reais para que as famílias consigam acessá-las, desenvolvam capacidades e construam trajetórias duradouras de autonomia”, pontuou a secretária.
A delegação de São Paulo também participou da sessão técnica “Governando a Complexidade”, conduzida pela subsecretária-geral adjunta da ONU, Michelle Muschett, além de manter reuniões bilaterais para troca de experiências em índices de monitoramento social. Para especialistas em políticas públicas e economia social, o grande mérito de expor modelos locais em fóruns internacionais reside na prestação de contas e no escrutínio metodológico. A avaliação de técnicos da área aponta que conectar a proteção social básica à intermediação de vagas reais de emprego é o único caminho sustentável para evitar que gerações inteiras fiquem presas à dependência estatal perpétua.
DADOS OFICIAIS:
Evento Internacional: Fórum Ministerial sobre Desenvolvimento Social da América Latina e do Caribe, sediado na Cidade do Panamá.
Participação Global: Presença de aproximadamente 60 delegações internacionais, com liderança conjunta do PNUD e da Cepal (organismos da ONU).
Programa Estadual Apresentado: SuperAção SP, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo.
Apoio e Financiamento: Parceria técnica e aporte de recursos em cooperação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Alcance Territorial Vigente: Implementação consolidada em 48 municípios do estado de São Paulo, integrando a rede socioassistencial dos CRAS.
Público-Alvo Prioritário: Famílias inscritas no CadÚnico com renda per capita de até meio salário mínimo nacional, com foco especial em lares chefiados por mulheres.
Metodologia de Atendimento: Busca ativa por agentes especializados, formulação de planos de desenvolvimento familiar e trilhas de capacitação voltadas ao mercado formal e à economia solidária.
O ALERTA QUE FICA: A projeção de programas sociais no exterior traz prestígio internacional, mas a verdadeira validação de qualquer política pública ocorre na porta da casa de quem passa necessidade nas quebradas de São Paulo. O contribuinte que trabalha duro para manter suas obrigações em dia aplaude iniciativas de inclusão, desde que elas se traduzam em resultados concretos e mensuráveis no asfalto.
O poder público estadual e as prefeituras parceiras têm a obrigação indelegável de garantir que o SuperAção SP não vire apenas discurso de conferência internacional ou vitrine política. A população exige que cada centavo financiado pelo BID ou investido do Tesouro estadual resulte de fato em empregos formais, autonomia financeira para as mães de família e redução real da miséria. Romper a dependência estatal e devolver ao cidadão a capacidade de viver do próprio sustento é a única vitória que realmente interessa à sociedade.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que programas focados em mentoria e qualificação profissional são capazes de libertar as famílias da dependência de auxílios, ou o Estado precisa primeiro investir em grandes frentes de obras públicas para gerar postos de trabalho imediatos?

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