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Governo de Giorgia Meloni aprova decreto que cria o crime de “participação violenta” em manifestações e endurece as regras para menores. Prefeito Giuseppe Sala diz estar “muito preocupado” com novas convocações nas redes sociais para o sábado (24).
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 20 de outubro de 2026.
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
O governo da Itália vai enviar 500 militares do Exército para reforçar a segurança em Milão, após um fim de semana de confrontos, depredações e saques no centro da cidade.
Os protestos começaram no sábado (17) contra o alto custo de vida, o preço dos combustíveis e a carga de impostos, mas foram tomados por grupos de jovens, muitos deles menores de idade, que entraram em choque com a polícia.
Segundo a imprensa italiana, cerca de 270 pessoas foram levadas às delegacias em Milão ao longo do fim de semana, a maioria com menos de 18 anos. Quase 200 policiais ficaram feridos.
Nesta terça-feira (20), o Conselho de Ministros aprovou um decreto-lei com novos crimes e penas mais duras. Os militares, porém, não terão poder de polícia judiciária.
Autoridades temem nova mobilização no sábado (24), convocada pelas redes sociais.
LEITURA INTEGRAL
Protesto contra o custo de vida virou guerrilha urbana
A manifestação de sábado (17) em Milão foi convocada pelo grupo “Italia in Piazza”, principalmente pelo TikTok, contra a alta dos preços, dos combustíveis e dos impostos. A polícia havia sido avisada e não considerava o ato preocupante.
Segundo a Sky TG24, cerca de 5 mil pessoas foram às ruas em Milão. Outras cidades também registraram atos: cerca de 3 mil pessoas em Turim, 2 mil em Bolonha, 800 em Bérgamo e 600 em Bréscia.
No centro de Milão, centenas de jovens vestidos de preto avançaram contra a polícia na Piazza del Duomo com rojões, grades e garrafas. As áreas mais atingidas foram a Piazza del Duomo, a Via Torino e San Babila, com ataques também a lojas da Galleria Vittorio Emanuele II e da região de Cordusio.
No domingo (18), houve novos tumultos e saques a lojas. A polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d’água para dispersar os grupos.
Jovens, menores de idade e sem liderança
Segundo a polícia italiana, os jovens chegaram em pequenos grupos, sem coordenação, vindos da periferia, da região metropolitana e de outras províncias. Muitos eram menores de idade.
Os protestos não foram convocados por sindicatos nem por partidos de oposição. Para o psicólogo Matteo Lancini, da Universidade de Milão-Bicocca, ouvido pela CNN, a violência reflete padrões absorvidos dos adultos e das redes sociais, mas isso, ressaltou, não elimina a responsabilidade individual.
A Justiça de Milão determinou a prisão de quatro adultos e a prisão domiciliar de um quinto, acusados de resistência agravada, devastação e saque.
Grifes protegem vitrines e comércio contabiliza prejuízo
Lojas de luxo do centro, como Chanel, Dior e Tiffany, retiraram produtos das vitrines diante do risco de novos ataques, segundo a imprensa europeia.
A Confcommercio, entidade do comércio, estima mais de meio milhão de euros em danos a lojas e estabelecimentos de Milão. A Confesercenti calcula que cada sábado de portas fechadas nos centros históricos pode custar até 5 milhões de euros em vendas perdidas em seis cidades.
O que muda com o decreto do governo Meloni
O decreto-lei aprovado nesta terça-feira (20) entra em vigor imediatamente e precisa ser convertido em lei pelo Parlamento em até 60 dias. Entre as principais medidas, segundo a imprensa italiana:
• novo crime de “participação violenta em manifestação”: quem, em grupo de cinco ou mais pessoas, atirar pedras, rojões ou paus durante um ato pode pegar até cinco anos de prisão e multa de até 20 mil euros, com aumento de pena para quem estiver com o rosto coberto ou ferir alguém;
• dano praticado em grupo: de 1 ano e meio a 5 anos de prisão e multa de até 15 mil euros, com possibilidade de prisão em flagrante diferida, com base em fotos e vídeos;
• menores entre 14 e 18 anos passam a ser presumidos capazes de entender seus atos, salvo prova em contrário, e os pais podem ser multados pelos danos;
• proibição de frequentar áreas de vida noturna, eventos e manifestações para quem tem condenações ou advertências policiais, inclusive menores;
• lesões contra policiais passam a ser investigadas de ofício, sem necessidade de queixa.
“O mal-estar social nunca pode se tornar um álibi para a violência”, afirmou a primeira-ministra Giorgia Meloni.
Militares nas ruas, mas sem poder de polícia
Os 500 militares vão reforçar a operação “Strade Sicure” (Ruas Seguras), que mantém soldados em pontos estratégicos do país desde 2008. O governo também ampliou o programa em 3 mil militares no total.
O ministro da Defesa, Guido Crosetto, havia pedido que os soldados tivessem poder de polícia judiciária por três meses, inclusive para prender em flagrante. Segundo o jornal Il Post, a medida foi retirada do texto após objeções da Presidência da República.
O presidente Sergio Mattarella manifestou solidariedade aos policiais feridos, condenou a violência e pediu uma “análise inteligente e aprofundada” do fenômeno.
Sábado (24) preocupa as autoridades
O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, de centro-esquerda, disse estar “muito preocupado” com o próximo sábado, com base em informações da prefeitura e da chefatura de polícia. Segundo ele, os grupos se convocam sozinhos e podem agir a qualquer momento.
O vice-primeiro-ministro Matteo Salvini afirmou que novas convocações para sábado circulam na internet e que estará em Milão no fim de semana.
Sala também alertou que o problema “não pode ser apenas de repressão” e cobrou ações sobre as causas da revolta. Na oposição, parlamentares pediram explicações do ministro do Interior, Matteo Piantedosi, e o Movimento 5 Estrelas cobrou sua renúncia.
Alerta para brasileiros e ítalo-brasileiros
Milão concentra uma grande comunidade brasileira e recebe milhares de turistas e empresários do Brasil, inclusive do setor de moda e comércio, com laços diretos com São Paulo.
Quem estiver na cidade deve evitar a região da Piazza del Duomo e do centro histórico em dias de manifestação, acompanhar as orientações das autoridades locais e manter contato com o Consulado-Geral do Brasil em Milão.
Análise: quando a crise vira fúria nas ruas
Os episódios de Milão mostram como a pressão do custo de vida, somada à mobilização instantânea pelas redes sociais, pode transformar um protesto legítimo em violência sem liderança e sem pauta.
A resposta do governo aposta no endurecimento penal, inclusive para adolescentes. O desafio, como lembraram o presidente Mattarella e o prefeito Sala, será equilibrar a garantia da ordem com o direito de manifestação e enfrentar as causas sociais que levaram milhares de jovens às ruas.
Fontes: Il Post; Sky TG24; LaPresse; Fanpage; Euronews; Wanted in Milan; CNN Brasil; O Povo; Times Brasil; Executive Digest.

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