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A onda de manifestações contra o custo de vida, iniciada em 17 de outubro, terminou em confrontos, incêndios e saques. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu diz que as restrições “contribuíram para a calma” e autoriza novos toques de recolher onde for necessário.
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 20 de outubro de 2026.
LEITURA RÁPIDA — 1 MINUTO
O governo da França ampliou nesta terça-feira (20) os toques de recolher localizados em várias cidades, após dias de protestos violentos e saques.
As manifestações começaram em 17 de outubro contra o alto custo de vida (“la vie chère”) e foram acompanhadas de confrontos, incêndios e danos ao comércio.
Paris, Lyon, Marselha, Nice, Bordeaux e cidades do norte do país, como Lille, estão entre as localidades com restrições. Em várias delas, a medida vale apenas para menores de idade desacompanhados.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que os toques de recolher “contribuíram para a calma” da última noite.
LEITURA INTEGRAL
Como funcionam as restrições
Os toques de recolher são localizados, valem apenas para partes de cada cidade e são decididos pelos prefeitos regionais (representantes do governo central) em acordo com os prefeitos das cidades. Segundo a BFM TV, 11 cidades adotaram medidas parciais.
• Paris: das 23h às 6h em áreas sensíveis, como Les Halles e République;
• Lyon: a partir das 21h no hipercentro;
• Marselha: menores de idade, das 22h às 5h, nas áreas próximas a shopping centers, até sexta-feira (23);
• Nice: menores de idade, das 21h às 6h, no centro, até domingo (25);
• Bordeaux: menores desacompanhados, das 22h às 7h, até segunda-feira (26);
• Lille, Douai, Wattignies e Denain, no norte: menores desacompanhados, das 20h às 6h.
Em Paris e Lyon, moradores, trabalhadores, comerciantes e equipes de emergência ficam dispensados da regra.
O que diz o governo
“Os toques de recolher direcionados contribuíram para a calma desta noite”, escreveu Lecornu nas redes sociais. Ele anunciou novas restrições “onde a situação exigir”, com decisão dos prefeitos regionais em conjunto com os prefeitos das cidades.
Segundo a imprensa francesa, o presidente Emmanuel Macron, que cumpre agenda no Golfo Pérsico, recusou o pedido de demissão do ministro Laurent Nuñez após a violência de 17 de outubro.
Noite mais calma, tensão nas ruas
O jornal Libération relatou que a noite foi calma nas cidades que adotaram as restrições. Em Nice, três menores, de 12, 13 e 15 anos, foram detidos no centro e entregues aos pais.
Ainda assim, jovens continuaram a se reunir na Praça da República, em Paris, com momentos de tensão com a polícia, segundo a revista Le Nouvel Observateur.
Onda de protestos também atinge a Itália
A França não é o único país europeu sob tensão. Na Itália, protestos contra o custo de vida em Milão terminaram em saques no fim de semana, e o governo de Giorgia Meloni decidiu enviar 500 militares à cidade e aprovar um decreto com penas mais duras para manifestantes violentos.
Nos dois países, as autoridades destacam a presença de muitos adolescentes entre os envolvidos e a mobilização rápida pelas redes sociais.
Alerta para brasileiros
Brasileiros que estão na França ou viajam ao país nos próximos dias devem evitar áreas de concentração de manifestantes, respeitar os horários de restrição e acompanhar as orientações das autoridades locais e dos consulados do Brasil em Paris e Marselha.
Análise: a crise do custo de vida chega às ruas da Europa
A combinação de preços altos, serviços públicos pressionados e convocações instantâneas pelas redes sociais tem levado milhares de jovens às ruas na Europa. Os toques de recolher trazem alívio imediato, mas não resolvem as causas da revolta, que devem continuar no centro do debate político francês.
Fontes: BFM TV; L’Express, via Orange Actu; Titres Presse (com relatos de Libération e Le Nouvel Observateur); UOL Notícias.

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