Uma declaração polêmica do CEO da Seja AP, André Pessoa, reacendeu o debate sobre o ambiente empreendedor brasileiro em evento realizado no último dia 14 em São Paulo. Durante palestra no Seja AP Summit 2026, Pessoa afirmou: “O Brasil é o melhor país do mundo para empreender exatamente porque os competidores são amadores. A concorrência é fraca, desorganizada e emocional. Quem entra com método, disciplina e visão estratégica ganha fácil”.
A frase viralizou imediatamente nas redes sociais (mais de 2,3 milhões de visualizações em 48 horas) e dividiu opiniões: para uns, é uma verdade inconveniente que expõe a baixa profissionalização do empreendedorismo nacional; para outros, é arrogância e desrespeito a milhões de pequenos negócios que sobrevivem apesar das dificuldades.
Quem é André Pessoa e a Seja AP

André Pessoa, 38 anos, é fundador e CEO da Seja AP, uma das maiores comunidades de educação empreendedora do Brasil, com mais de 450 mil alunos em cursos online e presenciais focados em vendas, marketing digital, copywriting e criação de infoprodutos. A empresa faturou cerca de R$ 320 milhões em 2025 (número divulgado no evento) e é conhecida por metodologias agressivas de conversão e alta margem de lucro em cursos digitais.
Pessoa construiu sua imagem como o “anti-guru” que critica o “empreendedorismo de autoajuda” e defende disciplina, vendas consultivas e operação enxuta. A frase sobre “competidores amadores” foi dita no painel “Como vencer no Brasil em 2026”, onde ele listou os principais motivos para o “Brasil ser o paraíso do empreendedor que sabe jogar o jogo”:
- Concorrência desorganizada “A maioria dos empreendedores brasileiros vende por emoção, não por estratégia. Eles copiam, improvisam, não têm funil, não segmentam, não testam. Quem entra com método ganha de lavada.”
- Baixo custo de aquisição “No Brasil, o CPC no Facebook e Instagram ainda é barato comparado a EUA e Europa. Você consegue testar anúncios com R$ 100 por dia e escalar rápido.”
- Consumidor disposto a comprar “O brasileiro compra por impulso, especialmente no digital. Se você souber vender desejo e urgência, ele paga até no boleto de R$ 1.997 por curso.”
- Falta de barreiras regulatórias pesadas “Aqui você abre empresa em 24 horas, emite nota em minutos e não tem tanta burocracia quanto na Europa para vender online.”
- Mercado gigante e carente “Temos 215 milhões de pessoas e uma classe média ansiosa por transformação pessoal. Quem entrega resultado rápido domina.”
Entre Aplausos e Críticas

A fala gerou reações intensas:
- A favor: Empreendedores digitais e donos de infoprodutos celebraram a “verdade nua e crua”. Muitos comentaram: “Finalmente alguém falou o que todo mundo pensa mas tem medo de dizer”.
- Críticas pesadas: Pequenos empreendedores, especialmente do varejo físico e de serviços locais, acusaram arrogância e desrespeito. Frases como “amador é quem acha que o Brasil é fácil” e “quem ganha dinheiro fácil acha que todo mundo é preguiçoso” viralizaram.
- Setor tradicional: Associações como Sebrae, Fecomercio-SP e CNC divulgaram notas defendendo que o empreendedorismo brasileiro é “majoritariamente formal e resiliente”, e que a visão de Pessoa representa apenas o nicho de infoprodutos.
- Comunidade de marketing: Influenciadores como Bruno Ávila, Victor Palandi e Alex Vargas defenderam Pessoa, dizendo que “a frase é dura, mas reflete a realidade do mercado digital brasileiro”.
André Pessoa não recuou da declaração. Em live no Instagram na noite do dia 15, ele reforçou: “Não estou desmerecendo ninguém. Estou dizendo que, para quem estuda método, o Brasil é um campo aberto. A oportunidade está aí para quem quer jogar de verdade.”
A frase já virou meme (“competidores amadores” x “empreendedores de garagem”) e deve continuar gerando debate nos próximos meses. Enquanto isso, a Seja AP anuncia nova turma de curso com preço de lançamento e promete “ensinar a ganhar dinheiro no país dos amadores”.
O Jornal 25News traz essa polêmica porque ela expõe uma verdade incômoda do empreendedorismo brasileiro: o mercado é enorme e cheio de oportunidades, mas também cheio de gente que não sabe jogar o jogo. Quem aprende as regras, ganha — e quem não aprende, vira estatística.
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