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Datafolha: Flávio mantém 47%, Lula chega a 46% e pesquisa aponta empate estatístico a três dias da eleição
Análise técnica do Jornal25News mostra que a redução da diferença entre os candidatos está dentro da margem de erro. Dados não permitem afirmar que houve uma virada eleitoral nem identificar um favorito estatisticamente comprovado.
Da Redação Jornal25News | 22 de outubro de 2026
Mário Marcovicchio
Leitura Rápida — 1 Minuto
A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (22) mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 47% das intenções de voto e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 46% no segundo turno presidencial.
Nos votos válidos, ambos aparecem com 50%, após arredondamento.
A comparação com o levantamento de 15 de outubro revela que Flávio permaneceu com 47% dos votos totais, enquanto Lula passou de 45% para 46%. A diferença caiu de dois para um ponto percentual.
Tecnicamente, essa variação isolada não demonstra crescimento estatisticamente significativo de Lula nem perda de apoio de Flávio. Os números são compatíveis com oscilações amostrais.
O Datafolha entrevistou 2.520 eleitores, segundo a publicação da própria Folha de S.Paulo e a reportagem do Estadão, com margem de erro divulgada de dois pontos percentuais e registro BR-09709/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.
1. O resultado nacional
Flávio Bolsonaro (PL)
47%
Votos totais
Lula (PT)
46%
Votos totais
Diferença observada
1 ponto percentual
Brancos e nulos: 5% | Indecisos: 2%
Nos votos totais, Flávio Bolsonaro aparece numericamente um ponto à frente. Entretanto, a diferença é pequena diante da incerteza amostral. Uma vantagem numérica não equivale a uma liderança estatisticamente demonstrada.
2. Evolução das pesquisas: o que realmente mudou
| Data | Flávio | Lula | Diferença |
|---|---|---|---|
| 8/10 | 49% | 45% | +4 Flávio |
| 15/10 | 47% | 45% | +2 Flávio |
| 22/10 | 47% | 46% | +1 Flávio |
■ Flávio Bolsonaro
■ Lula
Votos totais, em %. Fonte: Datafolha, rodadas de outubro de 2026.
A sequência mostra uma aproximação dos percentuais divulgados. Essa é uma descrição correta dos pontos estimados.
O que não se pode fazer é transformar automaticamente essa sequência em prova estatística de uma tendência de crescimento ou de uma virada. Para isso, seria necessário avaliar a incerteza das diferenças entre rodadas e sua significância.
3. A margem de erro: o que ela permite concluir
Considerando a margem divulgada de dois pontos percentuais, os intervalos indicativos das estimativas individuais são:
| Candidato | Estimativa | Intervalo indicativo |
|---|---|---|
| Flávio Bolsonaro | 47% | 45% a 49% |
| Lula | 46% | 44% a 48% |
Há sobreposição desses intervalos. Isso é compatível com a ausência de evidência suficiente para declarar um líder.
Cabe uma distinção importante: a margem de dois pontos divulgada para cada estimativa não é, necessariamente, a margem de erro da diferença entre os candidatos. Para calcular com rigor o intervalo dessa diferença, é preciso considerar a estrutura da amostra, os pesos e a covariância entre as respostas.
Resultado técnico: não há base, a partir dos dados publicados, para afirmar que um dos candidatos esteja estatisticamente à frente do outro.
4. Votos válidos: o empate de 50% a 50%
No cálculo dos votos válidos, o Datafolha apresenta os dois candidatos com 50%.
Essa igualdade decorre do arredondamento dos percentuais estimados. Não significa que exatamente metade dos eleitores votará em cada candidato.
Também não constitui previsão de empate nas urnas.
A pesquisa estima preferências eleitorais em determinado período. O resultado oficial depende dos votos efetivamente depositados e apurados em 25 de outubro.
5. Os segmentos eleitorais: diferenças e limitações
Os recortes divulgados pelo Estadão permitem identificar onde cada candidatura registra maior apoio.
| Segmento | Flávio | Lula |
|---|---|---|
| Sudeste | 51% | 39% |
| Sul | 58% | 33% |
| Norte/Centro-Oeste | 53% | 41% |
| Nordeste | 30% | 65% |
| Evangélicos | 69% | 26% |
| Católicos | 39% | 55% |
| Não alinhados | 40% | 32% |
Fonte: dados da rodada de 22/10 reproduzidos na reportagem do Estadão fornecida à redação. Percentuais de votos totais em cada segmento.Os dados mostram uma distribuição desigual das preferências entre regiões e grupos religiosos.
Entretanto, há um limite fundamental: a margem de erro nacional de dois pontos percentuais não deve ser aplicada automaticamente a esses segmentos. Como cada grupo reúne menos entrevistados, suas margens de erro tendem a ser maiores e dependem do respectivo tamanho amostral e desenho da pesquisa.
Assim, a diferença entre 62% e 69% de Flávio entre os evangélicos, por exemplo, é uma variação observada de sete pontos, mas não pode ser declarada estatisticamente significativa sem a margem específica e as informações necessárias ao teste entre rodadas.
O mesmo cuidado vale para o crescimento de Lula entre os católicos e no Nordeste.
6. Eleitores não alinhados: diferença diminui
Entre os eleitores que não se identificam com o petismo nem com o bolsonarismo, o Datafolha registrou:
| Candidato | Pesquisa anterior | Pesquisa atual |
|---|---|---|
| Flávio | 44% | 40% |
| Lula | 31% | 32% |
| Diferença | 13 pontos | 8 pontos |
A vantagem numérica de Flávio nesse grupo diminuiu cinco pontos percentuais.
Isso não significa necessariamente que quatro pontos de seus eleitores tenham migrado para Lula. A pesquisa não acompanha individualmente os mesmos entrevistados nas duas rodadas, e o grupo de não alinhados pode apresentar diferenças de composição amostral.
Sem acesso à margem de erro específica do segmento, não é possível afirmar que houve deslocamento estatisticamente comprovado.
7. Rejeição: os candidatos apresentam índices equivalentes
O levantamento registra rejeição total de 48% para ambos os candidatos, conforme o Estadão. A Folha também informa que 46% rejeitam exclusivamente Flávio e 45% exclusivamente Lula. São indicadores distintos, que não devem ser confundidos.
O resultado indica níveis semelhantes de resistência declarada aos dois nomes.
A rejeição, isoladamente, não permite calcular a probabilidade de vitória de um candidato. Tampouco deve ser somada ou subtraída diretamente dos percentuais de intenção de voto.
8. Expectativa de vitória não é intenção de voto
Outro indicador chama a atenção:
Acreditam na vitória de Flávio
53%
Acreditam na vitória de Lula
39%
A diferença de 14 pontos percentuais expressa a percepção dos entrevistados sobre quem vencerá, e não uma vantagem equivalente em votos.
Trata-se de uma pergunta diferente daquela utilizada para medir a intenção de voto.
Por esse motivo, não é tecnicamente correto apresentar os 53% como probabilidade estatística de vitória de Flávio.
9. Aprovação presidencial: melhora observada, sem comprovação isolada de tendência
A aprovação do desempenho de Lula passou de 48% para 49%, enquanto a desaprovação recuou de 50% para 48%.
Na avaliação qualitativa do governo, os resultados foram:
| Avaliação | 15/10 | 22/10 |
|---|---|---|
| Ótimo/bom | 35% | 36% |
| Regular | 23% | 24% |
| Ruim/péssimo | 41% | 39% |
São variações pequenas. A mudança de sinal entre aprovação e desaprovação é um fato descritivo, mas não comprova, por si só, uma melhora estatisticamente significativa.
Além disso, aprovação do governo e intenção de voto são medidas diferentes. Não se pode estabelecer uma relação causal entre as variações apenas com essas tabelas.
10. O que os dados permitem afirmar
A análise estatística exige distinguir os resultados observados das conclusões que podem ser sustentadas.
| Afirmação | Avaliação técnica |
|---|---|
| Flávio aparece numericamente à frente nos votos totais | Correta |
| Os candidatos estão em empate técnico | Correta |
| Lula cresceu um ponto na estimativa publicada | Correta |
| Lula apresentou crescimento estatisticamente comprovado | Não demonstrado |
| Flávio perdeu votos desde 15/10 | Não demonstrado pelos percentuais nacionais |
| Flávio tem 53% de chance de vencer | Interpretação incorreta do indicador |
| A pesquisa permite prever o vencedor | Não |
Conclusão editorial — Jornal25News
A pesquisa Datafolha de 22 de outubro confirma uma disputa estatisticamente equilibrada pela Presidência da República.
Flávio Bolsonaro mantém 47% das intenções de voto totais em relação à pesquisa anterior, enquanto Lula passa de 45% para 46%. Nos votos válidos, os dois aparecem com 50%, após arredondamento.
A diferença nacional observada diminuiu, mas os dados disponíveis não demonstram que essa redução representa uma alteração estatisticamente significativa na preferência do eleitorado.
Os resultados por religião, região e identificação política apresentam diferenças relevantes em termos descritivos. Contudo, variações entre rodadas nesses segmentos exigem margens de erro próprias para conclusões estatísticas.
A constatação tecnicamente sustentada é que o levantamento não estabelece um favorito com vantagem estatisticamente comprovada.
Qualquer afirmação de vitória provável, virada consolidada ou crescimento irreversível ultrapassaria as informações efetivamente medidas pela pesquisa.
Pesquisa eleitoral é uma estimativa sujeita à incerteza amostral e a outras fontes de erro, não uma antecipação do resultado das urnas.
Ficha técnica e fontes
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Instituto: Datafolha
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Contratantes: Folha de S.Paulo e TV Globo
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Coleta: 20 a 22 de outubro de 2026
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Amostra: 2.520 entrevistados, conforme Folha e Estadão
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Margem de erro divulgada: 2 pontos percentuais
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Nível de confiança: 95%
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Registro no TSE: BR-09709/2026
Existe divergência entre veículos sobre o tamanho da amostra: algumas reproduções informam 2.154 participantes. A reportagem da Folha, contratante da pesquisa, e o texto do Estadão informam 2.520. Adotamos esse último número, sem afirmar que a divergência foi resolvida mediante consulta direta ao arquivo original do registro no TSE.
Fontes consultadas: Folha de S.Paulo — Datafolha de 22/10; Datafolha — pesquisa anterior; reportagem do Estadão de 22/10/2026 reproduzida para análise.

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