Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 23 de outubro de 2026.
Leitura Rápida — 1 Minuto
- A acusação: Deltan Dallagnol (senador eleito pelo Paraná) afirma que a campanha de Lula tentou deixar de fora da quebra de sigilo dados do Instituto Lula e ligados a Daniel Vorcaro.
- O acordo: as campanhas firmaram no TSE um termo de abertura total e simultânea dos sigilos bancário e fiscal dos dois candidatos, com publicação em site público.
- A resposta do PT: Camilo Santana, Edinho Silva e Guilherme Boulos defendem a transparência e cobram a inclusão da Alcazar Holdings.
- O TSE: o ministro André Mendonça afirmou que o titular pode abrir o próprio sigilo sem aval do tribunal.
Leitura Integral
Como começou
O “desafio do sigilo” surgiu no debate da Band, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio Bolsonaro a abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. Na terça (20), o presidente protocolou no TSE pedido para abrir os dados dele e de sua família. A defesa de Flávio aceitou, mas acrescentou condições, como a inclusão de dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o “Marcola”, ex-chefe de gabinete de Lula. A campanha petista concordou e passou a exigir informações da offshore Alcazar Holdings, cujo único sócio é o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do senador.
A acusação de Dallagnol
Escalado pela campanha de Flávio para analisar os documentos entregues por Lula, Deltan Dallagnol afirmou na quinta (22) que a campanha petista “tentou dar um golpe” ao tentar excluir da quebra os dados do Instituto Lula e os relacionados a Vorcaro. Segundo ele, os advogados do senador perceberam a manobra e incluíram anotações à mão para deixar claro que a abertura seria total. “É direito do povo saber”, disse. Apesar da acusação, Dallagnol afirmou que o acordo está mantido e que Flávio concordou com o levantamento total.
As afirmações são de Dallagnol, aliado de Flávio, e não foram confirmadas pelo TSE até o fechamento desta edição.
O outro lado
Camilo Santana, Edinho Silva (presidente do PT) e Guilherme Boulos defenderam a transparência e questionaram a exclusão da Alcazar Holdings, ligada a Willer Tomaz, investigado pela Polícia Federal. “É preciso que o sigilo e todas as autorizações sejam feitas hoje”, disse Santana. Boulos lembrou que Flávio levou quatro dias para aceitar o desafio e ainda impôs condições.
O acordo e o papel do TSE
O termo de quebra total e simultânea foi protocolado no TSE, assinado por Lula e pela advogada de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri. Os documentos deveriam ser entregues até as 23h59 de quinta, com divulgação no DivulgaCandContas ou em outro site público.
O ministro André Mendonça afirmou que o tribunal não decide sobre essa abertura: o sigilo protege o próprio titular, que pode renunciar a ele sem ordem judicial, e cabe ao eleitor avaliar a escolha. Segundo ele, candidatos, pessoas e empresas citadas podem divulgar os próprios dados “por ato próprio”.
O que falta saber
Ainda não está claro se todos os documentos foram entregues no prazo, nem quando os dados serão de fato publicados. Assinar uma autorização não é o mesmo que tornar os dados públicos.
O Jornal25News continuará acompanhando o caso.
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