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SAÚDE MENTAL: “Não é preguiça, é pânico”: O drama invisível de quem sofre com o transtorno de acumulação

Reconhecida como condição de saúde mental desde 2013, a acumulação compulsiva afeta milhões e está ligada a traumas e conexões emocionais intensas com objetos. Relatos de sobreviventes mostram que o descarte pode ser sentido como o luto por um ente querido.

Edição por Edição
20 de janeiro de 2026
em Saúde, Saúde Emocional
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SAÚDE MENTAL: “Não é preguiça, é pânico”: O drama invisível de quem sofre com o transtorno de acumulação
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O que para muitos parece apenas “bagunça”, “desleixo” ou “preguiça extrema” é, para cerca de 2–6% da população adulta brasileira, um transtorno psiquiátrico grave e profundamente incapacitante: o Transtorno de Acumulação Compulsiva (TAC), também conhecido como hoarding disorder. A frase que dá título a esta matéria — “Não é preguiça, é pânico” — tem sido repetida incansavelmente por psiquiatras, psicólogos e pacientes nos últimos anos, especialmente após a publicação de estudos brasileiros em 2024–2025 que mostram o impacto devastador do transtorno na qualidade de vida, saúde física e relações sociais.

O que é o Transtorno de Acumulação Compulsiva?

Oficialmente reconhecido no DSM-5 (2013) e na CID-11 (2019), o TAC é caracterizado por:

  • Dificuldade persistente em descartar ou abrir mão de objetos de valor aparentemente insignificante.
  • Acúmulo excessivo que compromete o uso normal dos espaços da casa (cozinha, banheiro, quarto, corredores).
  • Angústia intensa ou pânico ao tentar jogar fora qualquer coisa.
  • O acúmulo causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo funcional (isolamento social, risco de incêndio, queda, infecções, perda de moradia).

Não se trata de colecionismo (que tem propósito e organização) nem de apego sentimental normal. É um transtorno de ansiedade com forte componente obsessivo-compulsivo, mas que não responde bem aos tratamentos clássicos do TOC.

Por que “não é preguiça, é pânico”?

O pânico surge porque o cérebro da pessoa com TAC interpreta o ato de jogar fora um objeto como uma ameaça existencial:

  • Medo catastrófico de “precisar um dia” daquele item.
  • Sensação de perda irreparável ou de traição a si mesmo.
  • Ansiedade paralisante que gera taquicardia, sudorese, tremor e sensação de morte iminente.

Estudos de neuroimagem (fMRI) mostram hiperatividade anormal na ínsula anterior, no córtex cingulado anterior e na amígdala — regiões ligadas a processamento emocional, aversão à perda e medo. Isso explica por que a pessoa “sabe” que a casa está perigosa, mas não consegue agir.

Números e realidade brasileira

  • Prevalência estimada no Brasil: 2,5–5,8% da população adulta (estudo multicêntrico USP-UNIFESP 2024).
  • Média de idade de início: meados dos 20 anos, mas diagnóstico só ocorre geralmente após os 50–60 anos, quando a casa já está intransitável.
  • 80–90% dos casos têm comorbidades: depressão (75%), TAG (50%), TOC (30–40%), TDAH (20–30%).
  • Mulheres são diagnosticadas com mais frequência (razão 2:1), mas homens tendem a acumular itens mais perigosos (eletrônicos quebrados, ferramentas, lixo eletrônico).
  • Mortes indiretas: Incêndios, quedas, intoxicação por mofo, desnutrição e suicídio estão associados ao transtorno.

Tratamento: longo, difícil e com baixa adesão

  • Terapia cognitivo-comportamental especializada (TCC para acumulação) — padrão-ouro, com taxa de resposta de 40–60% em 20–26 sessões.
  • Inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) em dose alta (fluoxetina, sertralina, paroxetina) ajudam em ~50% dos casos.
  • Estimulação magnética transcraniana (EMT) e ketamina intranasal estão sendo testados com resultados iniciais promissores no Brasil (USP e UNIFESP, 2025).
  • Taxa de abandono: até 60% dos pacientes desistem no primeiro ano, muitas vezes por vergonha ou negação.

Repercussão recente

  • A série documental “Acumulei Demais” (Netflix Brasil, 2025) e o reality “Casa dos Acumuladores” (Discovery Home & Health) aumentaram muito a visibilidade do transtorno.
  • Campanha nacional do Conselho Federal de Psicologia e da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria) em 2026 adotou o slogan “Não é preguiça, é pânico” para combater o estigma.
  • Aumento de buscas no Google por “transtorno de acumulação” e “hoarding disorder” subiu 320% no Brasil entre 2023 e 2025.

O transtorno de acumulação compulsiva ainda é subdiagnosticado e subtratado no SUS e na rede privada. A maioria dos pacientes só chega ao especialista quando a casa já está condenada pela vigilância sanitária ou quando a família ameaça internamento compulsório.

A ciência hoje entende: não é falta de vontade, é um transtorno cerebral grave. Quem sofre não precisa de bronca — precisa de ajuda especializada, paciência e, acima de tudo, compreensão. Porque, para quem vive esse drama, jogar fora um jornal velho pode ser tão aterrorizante quanto perder um ente querido.

O Jornal 25News reforça: se você ou alguém próximo acumula de forma incapacitante, procure ajuda. Não é fraqueza — é doença. E tem tratamento.

🤝 Apoio Institucional

Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
APECC – Associação Paulista de Empreendedores
Shopping Circuito das Compras – O Maior Shopping Popular do Brasil
Calabria – Oportunidades de Negócios
Advocacia Marcovicchio
Lit Pró Digital


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