Centro Histórico da Cidade de São Paulo, 2 de novembro de 2026.
Correr, pular, saltar, arremessar e brincar livremente são experiências fundamentais para o desenvolvimento infantil. Entretanto, essas atividades vêm disputando espaço com uma rotina cada vez mais marcada por dispositivos eletrônicos, entretenimento digital e longos períodos de comportamento sedentário.
A presença da tecnologia na infância trouxe novas possibilidades de aprendizagem e comunicação, mas também levantou preocupações relacionadas à redução das experiências corporais. Crianças que passam grande parte do dia diante de telas podem ter menos oportunidades de desenvolver habilidades motoras essenciais, explorar o ambiente e participar de brincadeiras que estimulam a coordenação e a interação social.
O fenômeno representa um desafio para famílias, escolas e profissionais de Educação Física, que precisam encontrar estratégias para tornar o movimento novamente parte da rotina infantil.
O DESAFIO DO DESENVOLVIMENTO MOTOR: A infância é uma fase decisiva para a aquisição e o aperfeiçoamento das habilidades motoras fundamentais. É nesse período que a criança desenvolve movimentos como correr, saltar, equilibrar-se, lançar, receber e manipular objetos.

Essas habilidades não surgem de maneira automática ou exclusivamente pela passagem do tempo. Elas são desenvolvidas por meio de experiências, estímulos adequados e oportunidades frequentes de movimento.
Quando as brincadeiras corporais são substituídas excessivamente por atividades sedentárias, a criança pode ter menos oportunidades de experimentar diferentes movimentos e desenvolver sua competência motora.
Isso não significa que toda criança que utiliza dispositivos eletrônicos apresentará dificuldades motoras, mas evidencia a importância de equilibrar o uso da tecnologia com experiências físicas variadas.
TELAS, SEDENTARISMO E SAÚDE INFANTIL: O comportamento sedentário está associado a períodos prolongados em que a pessoa permanece sentada ou deitada, com baixo gasto energético.
Na infância, o excesso desse comportamento pode contribuir para uma rotina pouco ativa, prejudicando a construção de hábitos saudáveis e aumentando os riscos relacionados à saúde ao longo do desenvolvimento.
Além dos aspectos físicos, a substituição das brincadeiras coletivas por atividades predominantemente individuais pode reduzir oportunidades de interação social, cooperação e resolução de conflitos.
Brincar de pega-pega, participar de jogos com bola ou construir circuitos motores são experiências que envolvem não apenas o corpo, mas também a atenção, a criatividade, a comunicação e a tomada de decisões.
A EDUCAÇÃO FÍSICA COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO: Nesse contexto, a Educação Física escolar assume uma função essencial. Por meio de atividades planejadas, lúdicas e adequadas à faixa etária, o profissional pode estimular o desenvolvimento motor e despertar o interesse das crianças pela prática de atividades físicas.
Circuitos com obstáculos, brincadeiras tradicionais, jogos cooperativos, atividades rítmicas e esportes adaptados são algumas possibilidades de intervenção.
O objetivo não deve ser transformar a infância em uma rotina de treinamento esportivo ou competição, mas proporcionar experiências diversificadas que respeitem as características individuais de cada criança.
A utilização de materiais simples, como cones, bolas, cordas, bambolês e objetos recicláveis, também permite desenvolver atividades criativas e acessíveis em diferentes ambientes escolares.
O profissional de Educação Física precisa compreender que cada criança possui seu próprio ritmo de aprendizagem. Por isso, as atividades devem oferecer desafios progressivos, incentivar a participação e evitar comparações que possam gerar constrangimento ou desmotivação.
A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA E DOS ESPAÇOS PÚBLICOS: A responsabilidade pela construção de uma infância mais ativa não pertence exclusivamente às escolas. A participação familiar é fundamental para estabelecer hábitos que acompanhem a criança durante seu crescimento.
Passeios em parques, brincadeiras em praças, caminhadas em família, jogos recreativos e atividades ao ar livre são alternativas que ajudam a reduzir o tempo sedentário e fortalecem os vínculos familiares.
Entretanto, a realidade de muitas famílias apresenta obstáculos, como jornadas de trabalho extensas, falta de espaços seguros para brincar e ausência de infraestrutura adequada nos bairros.
Por isso, políticas públicas voltadas à construção e conservação de parques, quadras esportivas e áreas de lazer também são importantes para garantir que crianças de diferentes condições socioeconômicas tenham oportunidades de movimento.
TECNOLOGIA NÃO PRECISA SER INIMIGA: Apesar das preocupações, a solução não está necessariamente em eliminar completamente os dispositivos eletrônicos da rotina infantil.
A tecnologia pode ser utilizada como ferramenta educativa, desde que exista equilíbrio e supervisão adequada. Aplicativos de aprendizagem, vídeos educativos e jogos que incentivam movimentos corporais podem complementar experiências presenciais, mas não devem substituir integralmente as brincadeiras, os esportes e a exploração do ambiente físico.
O desafio está em ensinar as crianças a utilizar os recursos digitais de maneira consciente, sem permitir que eles ocupem todo o espaço destinado ao movimento, ao descanso e à convivência.
DADOS OFICIAIS:
Recomendação da Organização Mundial da Saúde: Crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos devem realizar, em média, pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa ao longo da semana.
Atividades recomendadas: Brincadeiras ativas, corrida, ciclismo, natação, esportes, jogos recreativos e outras atividades que estimulem o movimento.
Fortalecimento muscular e ósseo: Atividades de intensidade vigorosa, incluindo aquelas que fortalecem músculos e ossos, devem estar presentes pelo menos três dias por semana.
Desenvolvimento motor: A infância é um período importante para a aquisição de habilidades motoras fundamentais, como correr, saltar, arremessar, receber e equilibrar-se.
Principais desafios: Comportamento sedentário, redução das brincadeiras ao ar livre, excesso de tempo de tela e falta de espaços adequados para atividades físicas.
Referência institucional: Organização Mundial da Saúde (OMS) — Diretrizes sobre atividade física e comportamento sedentário.
O ALERTA QUE FICA: A infância não deve ser vivida exclusivamente diante de uma tela. Correr, brincar, cair, levantar, experimentar movimentos e interagir com outras crianças são experiências que contribuem para o desenvolvimento físico, cognitivo e social.
A tecnologia faz parte da sociedade contemporânea e não precisa ser tratada como uma inimiga. Entretanto, é necessário compreender que o desenvolvimento infantil exige experiências que ultrapassam o ambiente digital.
A Educação Física possui um papel fundamental nessa transformação, oferecendo oportunidades para que as crianças descubram suas capacidades, desenvolvam habilidades e construam uma relação positiva com o próprio corpo.
Investir em uma infância mais ativa significa investir também na saúde das próximas gerações. Afinal, o movimento aprendido e valorizado durante os primeiros anos de vida pode se transformar em um hábito importante para toda a existência.
AGORA A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:
Você acredita que os celulares, tablets e videogames estão roubando espaço das brincadeiras tradicionais na infância? As escolas e os profissionais de Educação Física deveriam ter um papel ainda maior no combate ao sedentarismo infantil?

NOSSAS REDES SOCIAIS
Quer saber tudo em tempo real?
Curta nossa página no Facebook.
Siga o Jornal25News no Instagram.
Acompanhe nossas notícias no X (Twitter).
Compartilhe esta homenagem com seus amigos e familiares.
Assista ao nosso canal no YouTube: 25NEWS-BRAZIL, com notícias, entrevistas e análises exclusivas.
Jornal25News – Independente (igual a você)
A voz que não se cala. A notícia que não se vende.
Jornalismo com Responsabilidade Social.



