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Com aval do Cade para comprar Makro, Muffato projeta expandir em SP

A sexta maior rede de atacado do Brasil, com 86 lojas, começa a elaborar os projetos de reformas das 16 unidades adquiridas do grupo holandês, que serão transformadas em Max Atacadista

25news por 25news
6 de junho de 2023
em Cidade, Economia
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Com aval do Cade para comprar Makro, Muffato projeta expandir em SP
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Com aval do Cade para comprar Makro, Muffato projeta expandir em SP

A sexta maior rede de atacado do Brasil, com 86 lojas, começa a elaborar os projetos de reformas das 16 unidades adquiridas do grupo holandês, que serão transformadas em Max Atacadista

Com aval do Cade para comprar Makro, Muffato projeta expandir em SPEm janeiro, a rede varejista Grupo Muffato surpreendeu o mercado com o anúncio de expansão para São Paulo com a compra de 16 lojas e de 11 postos de combustível dentro dos mercados da rede atacadista Makro, que pertence ao grupo holandês SHV.

A novidade agora é que o acordo foi aprovado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e o grupo já começou os projetos que serão implementados, dando início ao processo de montagem de equipes em algumas cidades.

Fundada em 1974, em Cascavel, no Oeste do Paraná, o Grupo Muffato é hoje a 6ª maior rede do setor e é 100% brasileira. Atua como varejo e atacarejo em 86 unidades distribuídas entre os estados do Paraná e São Paulo, nas cidades de Araçatuba, Fernandópolis, São José do Rio Preto, Ourinhos, Birigui, Catanduva, Votuporanga Presidente Prudente. Em breve, irá abrir uma loja em Assis.

Com a negociação, o Grupo Muffato entra na capital paulista e amplia sua operação já existente, porém tímida, no interior do estado de São Paulo. Três dos imóveis ficam na capital (Butantã, Interlagos e Lapa), outros três estão na Grande São Paulo (Guarulhos, Santo André e São Bernardo do Campo) e 10 estão no interior, nas cidades de Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Taubaté, Mogi das Cruzes, Campinas e Sorocaba, onde há duas unidades.

O valor da aquisição não foi revelado. Alguns imóveis possuem postos de combustíveis junto com o mercado e foram comprados pelo Muffato na negociação.

O Grupo Muffato informou que “o estado de São Paulo tem um grande potencial consumidor e é desejável ampliar a rede na região.” Ainda segundo a nota, o Makro Brasil está concluindo algumas etapas burocráticas para a entrega dos imóveis, “mas tudo tem corrido dentro do previsto.”

Enquanto isso, o Grupo Muffato segue elaborando os projetos que serão implementados e iniciou o processo de contratação de pessoal em algumas cidades. “Após tomar posse dos imóveis e outros ativos, faremos uma grande reestruturação nos espaços, adequando-os para a instalação e funcionamento da nossa bandeira de atacarejo, o Max Atacadista”, informa.

A expectativa do Grupo é que a operação comece ainda neste ano na maioria das cidades, especialmente no interior de São Paulo. Além do varejo e atacarejo, a companhia tem atacados, shoppings e postos de combustíveis. A bandeira de varejo da empresa é o Super Muffato e o atacarejo é o Max Atacadista.

VÁRIAS TENTATIVAS

Segundo Glerton Reis Jr, economista e sócio fundador da A&G Assessoria Empresarial & Tributária, essa não é a primeira vez que o Muffato tenta comprar o Makro para aumentar sua presença em São Paulo. Em outras negociações, o alto valor pedido pelo Makro e passivos trabalhistas inviabilizaram a venda.

Reis avalia como excelente a compra do Makro pelo Muffato. “O interior paulista é o maior mercado consumidor per capita do Brasil e agora a companhia passa a ter um expoente do target market no Sudeste, já que no Sul – principalmente no Paraná – já é muito forte.”

O economista em gestão de negócios e CEO do Grupo BCBF, Rica Mello, tem a mesma opinião. “Faz tempo que o Muffato quer ampliar sua presença em São Paulo. O estado, principalmente a capital, é uma região com pouco espaço disponível para começar um projeto de atacarejo do zero, além de ser muito caro, o que torna a operação inviável. Muito mais fácil comprar de alguém algo já existente e adaptar”, explica.

Para Mello, não valia a pena para outros atacarejos como Assaí, Atacadão e Roldão comprar o Makro porque eles têm unidades muito próximas às lojas do grupo holandês. “Fisicamente, não era interessante por conta dessa proximidade. No entanto, para o Muffato é um excelente negócio. Eles têm uma estratégia muito inteligente e fazem muito bem o atacarejo. Se souberem operar com excelência em São Paulo, a chance de sucesso é muito grande frente à concorrência”, avalia.

Já Reis considera que a concorrência é natural e saudável. “Todos os maiores players estão em São Paulo e esse espaço que o Muffato está preenchendo tem uma vertente estratégica”, diz. “Foi o Muffato que lançou a primeira loja autônoma sem funcionários nos caixas, quando lançou a Muffato Go, em Curitiba (PR), em novembro de 2022. Já estão um passo à frente do ponto de vista tecnológico, então acredito que terão grande êxito para enfrentar a concorrência”, complementa.

Segundo o Grupo, a Muffato Go, ou MGo, como é chamada, não tem caixas nem autocaixas, mas ainda mantém equipe com gerentes, repositores, colaboradores que cuidam do estoque e uma concierge que fica na entrada orientando quem não conhece o projeto.

Funciona assim: com o aplicativo do Super Muffato no celular, o cliente chega à loja e acessa pelo QR Code a catraca para entrar. Uma vez dentro da área de compras é só pegar os produtos e sair. A loja tem câmeras de visão computacional que identificam os movimentos do consumidor na loja. Além disso, há um conjunto de sensores nas prateleiras e geladeiras que “sentem” quando um produto é retirado ou recolocado. Então, se o cliente desistir da compra, basta recolocar na prateleira. Depois, basta sair que a conta vai automaticamente paro cartão de crédito e o cupom fiscal registrado antecipadamente no aplicativo.

CENÁRIO

O momento atual está muito mais propício para o setor de alimentos do que para outros segmentos, como roupas e móveis. Exemplo disso são as notícias negativas e frequentes nos últimos meses de grandes players, como a Renner, a Tok&Stok, Marisa e tantas outras que estão fechando lojas.

A Renner fechou 20 lojas de suas marcas no primeiro trimestre deste ano. No total, foram 13 unidades da Camicado, quatro da própria Renner e três da Youcom.

Em meio a uma crise financeira, a Tok&Stok anunciou em abril deste ano que encerrou as atividades de lojas em Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro, Curitiba, Piracicaba e Campinas. Em algumas dessas unidades, fez uma grande liquidação dos estoques com ofertas de até 50%.

A Marisa também divulgou, em abril, que prevê o fechamento de 92 das 334 lojas no Brasil nos próximos meses.

“Estes são apenas alguns exemplos de como o setor de comércio não anda bem. Mas não é o que acontece com o atacarejo. O ramo de supermercado migrou pouco para o on-line”, avalia Rico Mello. “Isso sempre foi um fato porque as pessoas precisam de alimento para viver e deixam outras compras para um segundo momento. No entanto, não há como ter sucesso de venda de alimentos pela internet. Além de serem produtos perecíveis, as pessoas querem ver, pegar e avaliar o que estão comprando para comer. É diferente de comprar um sapato pela internet”, destaca.

Além disso, os atacarejos estão tomando o lugar dos hipermercados. “Hoje, você vê pessoas de classes A e B comprando produtos mais básicos nos atacados e deixando itens mais específicos ou hortifrutis para redes, digamos, mais elitizadas para suas preferências e necessidades. Antes, o atacado era exclusivo de classes sociais menos privilegiadas, o que não é mais uma realidade”, avalia Mello.

Segundo os economistas ouvidos pelo Diário do Comércio, as lojas físicas do setor supermercadista têm melhor performance porque há pessoas dentro dos mercados e a pandemia não mudou isso.

“O marketplace tirou as pessoas das lojas físicas e tivemos uma migração de mão de obra e disponibilidade de emprego do setor comercial para o setor de serviços. De um modo geral, o emprego diminuiu porque o marketplace não requer tanta mão de obra”, destaca Reis.

“Agora o Makro está saindo do Brasil e essa venda para o Muffato é mais um dos diversos movimentos de saída de operadores internacionais do varejo brasileiro”, diz.

Um dos maiores casos registrados até agora foi o do Walmart, que vendeu toda sua operação no Brasil para a empresa de private equity Advent, em 2018. Rebatizada de Big, a rede foi revendida para o Carrefour em 2021.

Mas, por que então, com um cenário favorável para o setor de alimentos e atacarejos, o Makro não deu certo no Brasil? Mello acredita que um dos motivos é o fato de a rede não ter se atualizado.

“O Makro foi o primeiro supermercado de atacado a surgir no Brasil, em 1972, na Vila Maria, em São Paulo. Eles operam em alguns países da América do Sul, além do Brasil. No entanto, a estratégia atual estava bem ruim. Eles não renovaram as lojas e não mexeram no modelo de negócios frente ao aumento da concorrência. Isso fez com que outros nomes tomassem o mercado deles. Já não é o caso do Muffato, que tem uma estratégia muito bem alinhada e competitiva”, diz Mello.

 

IMAGEM: Grupo Muffato/divulgação

Fonte: Diário do Comercio de SP

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