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Bolsonaro e aliados são indiciados por supostos crimes contra a democracia, incluindo tentativa de golpe de Estado

Ex-presidente e aliados são acusados de participação em plano que previa rompimento democrático e atentados contra lideranças políticas, pela PF.

Pedro Valentini por Pedro Valentini
27 de novembro de 2024
em Brasil, Política
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Bolsonaro e aliados são indiciados por supostos crimes contra a democracia, incluindo tentativa de golpe de Estado
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A Polícia Federal (PF) concluiu investigações que apontam o envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), de aliados políticos e de militares de alta patente em um esquema para interromper o processo democrático no Brasil após as eleições de 2022. Bolsonaro, o ex-ministro Braga Netto, o ex-chefe do GSI, Augusto Heleno, e outros 34 suspeitos foram indiciados pelos crimes de abolição violenta do estado democrático de direito, tentativa de golpe de Estado e organização criminosa. Somadas, as penas podem chegar a 28 anos de prisão.

O relatório detalha um plano que previa até assassinatos para consumar o golpe, incluindo a eliminação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de seu vice, Geraldo Alckmin, e do ministro do STF, Alexandre de Moraes. O documento descreve reuniões estratégicas envolvendo a cúpula das Forças Armadas, a criação de minutas golpistas e um esquema operacional que incluía envenenamento e atentados com explosivos.

A investigação identificou seis núcleos que teriam articulado a tentativa de golpe, incluindo um grupo de oficiais de alta patente das Forças Armadas. Entre os indiciados estão dois ex-comandantes militares: o almirante Almir Garnier Santos, da Marinha, e o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, do Exército.

Indícios e próximos passos

O relatório, com mais de 800 páginas, foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e deve ser analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na próxima semana. O procurador-geral, Paulo Gonet, deve decidir se formaliza as denúncias, considerando os casos sob um mesmo contexto, já que os indiciamentos decorrem de investigações relacionadas ao inquérito das milícias digitais.

Em resposta, Bolsonaro classificou as acusações como perseguição política. Em entrevista ao portal Metrópoles, criticou o ministro Alexandre de Moraes, afirmando que o magistrado “conduz o inquérito como bem entende”. A defesa do ex-presidente, por sua vez, declarou que só se manifestará após ter acesso ao relatório completo.

Defesas contestam

A defesa de Braga Netto alegou irregularidades na divulgação de informações do inquérito antes de os envolvidos terem acesso ao documento oficial. Já os representantes do coronel Alexandre Castilho Bittencourt e do tenente-coronel Ronald de Araújo Júnior contestaram o indiciamento e afirmaram confiar na inocência de seus clientes.

Paulo Figueiredo Filho, economista e neto do ex-presidente João Figueiredo, ironizou o indiciamento em redes sociais, afirmando sentir-se “honrado”. Outros investigados, como Mauro Cid e Valdemar Costa Neto, optaram por não se pronunciar.

Contexto histórico

Esse é o terceiro indiciamento de Bolsonaro desde que ele deixou o poder. Ele já enfrenta acusações relacionadas ao caso das joias sauditas e à organização de atos antidemocráticos em 8 de janeiro de 2023. As investigações somam pressões jurídicas ao ex-presidente, que já foi declarado inelegível até 2030.

O caso representa mais um capítulo do embate entre as instituições brasileiras e figuras centrais do governo anterior, com potencial para influenciar o cenário político do país nos próximos anos.

Nota da redação: O indiciamento é apenas um procedimento legal no ordenamento jurídico brasileiro, não representa ou significa que os réus são culpados. O inciso LVII do artigo 5º, promulgado pela Constituição Federal de 1988, define que: Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória. Ele consagra o princípio da presunção de inocência, também conhecido por “princípio da não culpabilidade”.

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