Alerta Nacional: 29% dos brasileiros adultos são analfabetos funcionais
Mesmo índice de 2018 revela estagnação preocupante e reforça urgência de políticas públicas para combater o analfabetismo funcional no país

Centro de SP, 06.05.25
Três em cada dez brasileiros entre 15 e 64 anos não sabem ler e escrever ou têm tanta dificuldade que não conseguem compreender pequenas frases, identificar preços ou sequer interpretar um número de telefone. Essa é a realidade de 29% da população brasileira, de acordo com os dados mais recentes do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgados nesta segunda-feira (5).
O dado é alarmante não apenas pela proporção, mas pela estagnação: o percentual é o mesmo registrado em 2018. Ou seja, em um intervalo de sete anos, o país não avançou no combate ao analfabetismo funcional — uma forma de exclusão silenciosa que afeta diretamente o acesso a direitos, ao trabalho digno e à cidadania plena.

O analfabetismo funcional não se refere à completa ausência de alfabetização. Trata-se de pessoas que passaram por algum processo de escolarização, mas não desenvolveram as habilidades mínimas de leitura, escrita e interpretação necessárias para lidar com as demandas básicas do dia a dia. Essa limitação impacta decisões simples como compreender uma receita médica, interpretar um contrato ou acompanhar o desempenho escolar dos filhos.
Especialistas apontam que o problema é estrutural e está diretamente ligado à qualidade da educação oferecida, sobretudo nos primeiros anos de formação. “Não se trata apenas de colocar as crianças na escola, mas de garantir que elas aprendam de fato. A aprendizagem deve ser contínua e significativa”, alerta Maria Helena Castro, consultora educacional e ex-diretora do Inep.
Os dados do Inaf acendem um sinal de alerta para gestores públicos. Em um momento em que o Brasil discute novas diretrizes para a educação básica e profissional, os índices revelam que milhões de brasileiros ainda estão à margem do conhecimento essencial.
Além disso, o impacto econômico é considerável. Trabalhadores com baixa capacidade de leitura e interpretação têm mais dificuldade de inserção no mercado formal, o que reforça ciclos de pobreza e desigualdade.
Diante do cenário, especialistas e organizações da sociedade civil defendem a implementação de políticas públicas mais eficazes, com foco em alfabetização de jovens e adultos, qualificação de professores, incentivo à leitura desde os primeiros anos escolares e acompanhamento rigoroso da aprendizagem.
Sem ações concretas e de longo prazo, o Brasil corre o risco de manter grande parte de sua população excluída das oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional. O desafio está posto — e não pode mais ser adiado.



