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JUSTIÇA TÉRMICA: Especialista defende revisão de moradias para enfrentar o calor extremo sem depender de ar-condicionado

"Menos ar-condicionado, mais ventilação": Geógrafo Wagner Ribeiro (USP) alerta que o modelo de urbanização atual é insustentável. Em 2026, foco das políticas públicas deve migrar para o conforto térmico natural e a resiliência das edificações diante da crise climática.

Edição por Edição
7 de fevereiro de 2026
em Brasil, Saúde
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JUSTIÇA TÉRMICA: Especialista defende revisão de moradias para enfrentar o calor extremo sem depender de ar-condicionado
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Com ondas de calor que já atingem sensação térmica acima de 50 °C em várias cidades brasileiras, um debate ganha força entre arquitetos, urbanistas e especialistas em saúde pública: o Brasil precisa de uma revisão urgente das normas de construção para tornar as moradias mais resilientes ao calor extremo — sem depender quase exclusivamente de ar-condicionado, que é caro, consome muita energia e agrava o efeito ilha de calor nas cidades.

A principal voz nesse debate é a da arquiteta e pesquisadora Leticia de Oliveira Neves, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e coordenadora do Laboratório de Conforto Ambiental e Física da USP (LabConfort). Em entrevista exclusiva ao Jornal 25News, ela defende o conceito de “justiça térmica” — a ideia de que o conforto térmico em casa não pode ser privilégio de quem pode pagar conta alta de luz ou ar-condicionado 24 horas.

O que o especialista propõe (e já está sendo discutido)

  1. Revisão imediata da NBR 15.220 (Desempenho térmico de edificações)
    • Tornar obrigatória a simulação térmica dinâmica em projetos residenciais acima de 4 pavimentos.
    • Exigir isolamento térmico mínimo em paredes externas e lajes de cobertura (atualmente, muitas construtoras usam apenas alvenaria cerâmica sem isolamento).
    • Limite máximo de temperatura interna em dias quentes: 28 °C com umidade relativa ≤ 70% (sem uso de ar-condicionado).
  2. Incentivos e obrigatoriedade para soluções passivas
    • Ventilação cruzada obrigatória em todos os cômodos (janelas em fachadas opostas).
    • Varandas e beirais profundos (mínimo 1,2 m) para sombreamento de aberturas.
    • Paredes e coberturas refletivas (pintura com alto índice de refletância solar – albedo ≥ 0,65).
    • Telhados verdes ou brancos em edifícios acima de 5 pavimentos (já obrigatório em algumas cidades como Curitiba e Porto Alegre).
    • Vidros com fator solar baixo (FS ≤ 0,40) em janelas voltadas para norte e oeste.
  3. Proibição ou desincentivo de soluções que agravam o problema
    • Restrição progressiva ao uso de vidro espelhado ou escuro em fachadas residenciais (aumenta reflexão de calor para a rua e vizinhos).
    • Fim da obrigatoriedade de sacada envidraçada como “área útil” (prática comum que reduz ventilação natural).
    • Incentivo fiscal para retrofit térmico em edifícios antigos (redução de IPTU para quem instalar isolamento ou telhado verde).

Números que justificam a urgência

  • Ondas de calor 2025–2026: São Paulo registrou 47 dias com sensação térmica acima de 42 °C em 2025 (recorde histórico).
  • Consumo de energia: ar-condicionado residencial já representa ~38% do consumo de energia elétrica em dias quentes na capital (dados Enel 2025).
  • Mortes por calor: aumento de 210% em óbitos diretamente atribuídos a hipertermia em 2025 (Ministério da Saúde).
  • Desigualdade térmica: em favelas e periferias sem ventilação adequada, temperatura interna pode chegar a +8–12 °C acima da temperatura externa à sombra.

Próximos passos

  • Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-SP): apoia revisão da NBR 15.220 e criação de selo “Edificação Resiliente ao Calor”.
  • Sinduscon-SP: resiste a novas obrigações, alegando aumento de custo de construção em 8–15%.
  • Ministério das Cidades: estuda incluir requisitos térmicos na nova versão do Minha Casa Minha Vida (2026–2030).
  • Prefeitura de SP: já cobra laudo térmico em novos empreendimentos acima de 10 pavimentos (desde 2025), mas ainda não é obrigatório para reformas.

O conceito de justiça térmica está ganhando força: não basta ter energia barata para ligar ar-condicionado — é preciso que a casa em si consiga manter conforto térmico com ventilação natural, sombreamento e materiais adequados. Em um Brasil que já vive ondas de calor cada vez mais longas e intensas, depender só de aparelhos elétricos é insustentável — tanto para o bolso quanto para o planeta.

O Jornal 25News acompanha as discussões na ABNT (revisão da NBR 15.220 prevista para 2027) e os primeiros projetos que já adotam esses princípios em São Paulo e no interior. Porque, em tempos de +50 °C de sensação térmica, o maior ar-condicionado que existe é uma casa bem projetada — e o Brasil ainda constrói como se o clima fosse o mesmo de 50 anos atrás.

🤝 Apoio Institucional

Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
APECC – Associação Paulista de Empreendedores
Shopping Circuito das Compras – O Maior Shopping Popular do Brasil
Calabria – Oportunidades de Negócios
Advocacia Marcovicchio
Lit Pró Digital


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