A Polícia Federal apreendeu R$ 1,5 milhão em espécie em um jatinho que seguia de Salvador para Brasília. A ação ocorreu no último dia 3 como parte da Operação Overclean, que investiga desvios de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares destinadas ao Departamento Nacional de Obras contra as Secas (DNOCS).
Além do dinheiro, os agentes confiscaram uma planilha que registra contratos suspeitos no valor de mais de R$ 200 milhões em estados como Rio de Janeiro e Amapá. Segundo a PF, os valores transportados seriam usados para pagamentos de propina na capital federal.
Aeronaves e contradições
A investigação apontou que aeronaves privadas eram frequentemente usadas por empresários e agentes políticos para transportar valores ilícitos. O ex-chefe do DNOCS na Bahia, Lucas Lobão, e o empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, estão entre os principais envolvidos. Em depoimento, ambos apresentaram versões conflitantes sobre a origem e o destino dos recursos.
A polícia monitorava o jatinho desde sua decolagem em Salvador e realizou a abordagem em Brasília. Moura, que organiza contratos no setor de coleta de lixo e é membro do diretório nacional do União Brasil, é apontado como uma das lideranças do esquema.
Vereador lança dinheiro pela janela
Outro alvo da operação foi o vereador Francisco Nascimento, de Campo Formoso (BA), primo do deputado federal Elmar Nascimento (União Brasil). Antes de ser preso, Francisco tentou descartar R$ 220 mil em espécie, lançando uma sacola pela janela. O montante foi recuperado pela PF, que também encontrou R$ 700 mil com outro empresário durante buscas.
Superfaturamento bilionário
A Controladoria-Geral da União (CGU), que atua na operação, informou que o esquema pode ter desviado R$ 1,4 bilhão em contratos públicos, sendo R$ 825 milhões apenas em 2024. O DNOCS e prefeituras seriam os principais alvos de licitações fraudulentas e contratos superfaturados.
A operação, que trouxe à tona relações próximas entre empresários investigados e lideranças políticas como ACM Neto e Antônio Rueda, busca rastrear o destino dos recursos desviados e as conexões do grupo criminoso. Moura, Lobão e outros envolvidos não se manifestaram até o momento.



