Um estudo conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (Afip), publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas, revela um crescimento alarmante da Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) em infecções adquiridas na comunidade (fora do ambiente hospitalar) na capital paulista. Entre 2018 e 2025, a proporção de MRSA em infecções comunitárias subiu de 18,4% para 29,7%, o que representa um aumento médio anual de 3,6% — taxa considerada preocupante por especialistas.
Principais achados do estudo

- Amostra analisada: 4.872 isolados de S. aureus coletados em 17 laboratórios privados e públicos da Grande São Paulo entre 2018 e 2025.
- Crescimento do MRSA comunitário: – 2018–2019: 18,4% – 2020–2021: 22,1% (leve aumento durante a pandemia) – 2022–2023: 26,8% – 2024–2025: 29,7% (pico histórico)
- Locais de infecção mais comuns fora do hospital: – Abscessos e furúnculos de pele e tecidos moles (68%) – Celulite e infecções pós-traumáticas (19%) – Pneumonias comunitárias graves (8%) – Infecções ósseas e articulares (5%)
- Perfil de resistência: – 94% dos isolados MRSA comunitários são resistentes a eritromicina, clindamicina e ciprofloxacino. – 12% já apresentam resistência intermediária ou alta à vancomicina (o último recurso em muitos casos). – 7 casos de resistência à daptomicina e linezolida foram identificados em 2025 (até então raros na comunidade).
Por que isso é preocupante
- O MRSA comunitário (CA-MRSA) é mais agressivo que o hospitalar (HA-MRSA) e afeta principalmente crianças, adolescentes e adultos jovens saudáveis.
- Mortalidade em infecções invasivas comunitárias chega a 15–25% em casos de bacteremia ou pneumonia necrosante.
- Transmissão ocorre por contato pele a pele, compartilhamento de objetos pessoais (toalhas, roupas de academia, equipamentos esportivos) e em ambientes coletivos (escolas, academias, presídios, creches).
- O aumento de 3,6% ao ano é superior à média global estimada (2,1–2,5%) e sugere disseminação comunitária acelerada em São Paulo.
Recomendações da Unifesp e Afip

- Vigilância “inteligente”: ampliação de testes rápidos de detecção de MRSA em serviços de emergência e unidades básicas de saúde.
- Campanhas educativas em escolas e academias: higiene das mãos, não compartilhar objetos pessoais, procurar médico rapidamente em lesões de pele que não melhoram.
- Restrição racional de antibióticos: evitar prescrição empírica de cefalosporinas de 1ª geração em infecções de pele graves.
- Monitoramento contínuo: inclusão obrigatória do MRSA comunitário no sistema de vigilância epidemiológica municipal e estadual.
Repercussão e medidas anunciadas
- Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo: anunciou reforço na vigilância microbiológica em 2026 e distribuição gratuita de kits de higiene para escolas públicas da rede estadual na Zona Sul e Leste.
- Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI): recomenda que todo abscesso de pele grave seja drenado e cultivado, com teste de sensibilidade obrigatório para MRSA.
- Hospital das Clínicas e Unifesp: já implementam protocolo de “precaução de contato” automático em pacientes com suspeita de infecção por MRSA comunitário.
Até Agora
O avanço do MRSA fora dos hospitais não é mais um risco isolado — é uma realidade que atinge cada vez mais pessoas saudáveis na comunidade. O crescimento de 3,6% ao ano em São Paulo sinaliza que a superbactéria está se tornando endêmica na cidade, e o grande desafio agora é conter a disseminação sem depender apenas de antibióticos de última linha.
O Jornal 25News acompanhará os próximos boletins epidemiológicos e as campanhas educativas previstas para o outono. Porque, quando uma bactéria que antes ficava restrita aos hospitais começa a infectar pessoas comuns na rua, na escola e na academia, o alerta não é só médico — é social. E em 2026, São Paulo precisa decidir se vai tratar o MRSA como um problema de saúde pública urgente ou como mais um risco que “acontece com os outros”. A resposta virá nas ações, não nas palavras.
Apoio Institucional
Ibrachina – Instituto Sociocultural Brasil-China
APECC – Associação Paulista de Empreendedores
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Calabria – Oportunidades de Negócios
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