O Carnaval de Olinda 2026, que atraiu cerca de 2,8 milhões de pessoas em quatro dias de folia, terminou com uma imagem que viralizou negativamente nas redes sociais: foliões tropeçando em montanhas de lixo acumulado, garrafas PET flutuando em poças de chorume nas ladeiras do Centro Histórico e cheiro forte de decomposição em pleno Sábado de Zé Pereira. O apelido “Chorume na Folia” surgiu espontaneamente no Twitter/X e TikTok (mais de 4,7 milhões de visualizações em 48 horas) e agora motiva um pedido formal de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Lixo na Câmara Municipal de Olinda.
O que aconteceu durante o Carnaval

- Volume de lixo gerado: estimativa da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano (CTTU) e da Secretaria de Serviços Públicos: mais de 380 toneladas em quatro dias (média de 95 toneladas/dia), quase o triplo do Carnaval 2025.
- Principais pontos críticos:
- Ladeira da Sé e entorno do Alto da Sé: lixo acumulado em até 1,5 metro de altura em alguns trechos na madrugada de segunda-feira.
- Praça do Carmo e Rua do Amparo: poças de chorume misturado com cerveja e restos de comida atraíram ratos e baratas em plena luz do dia.
- Passarela do Frevo e corredor da Pitombeira: sacos rasgados e entulho bloqueando acessos.
- Vídeos e fotos: vários influenciadores e foliões filmaram cenas de pessoas escorregando em lixo orgânico, crianças brincando perto de montes de detritos e até um caso de um folião que caiu e se cortou com vidro quebrado (atendido no Hospital Regional de Olinda).
Pedido de CPI do Lixo

A vereadora Luciana Virgínio (PSOL), líder da oposição na Câmara, protocolou na manhã desta terça-feira (18/02) o requerimento para criação da CPI do Lixo e da Limpeza Urbana de Olinda 2026. O documento cita:
- Dívida milionária: a prefeitura de Olinda acumula R$ 18,4 milhões em débitos com a empresa terceirizada responsável pela coleta (último pagamento realizado em outubro/2025).
- Redução de frota: número de caminhões compactadores caiu de 22 (2024) para 14 (2026) durante o Carnaval, segundo denúncia de garis.
- Ausência de planejamento: apesar de saber que o Carnaval de rua cresce a cada ano, o plano de contingência para limpeza foi considerado “insuficiente” pelo próprio relatório interno da Secretaria de Serviços Públicos (obtido via LAI pela vereadora).
- Risco sanitário: proliferação de vetores de dengue, leptospirose e doenças diarreicas em pleno período chuvoso.
O pedido de CPI precisa de 9 assinaturas (maioria simples dos 17 vereadores) para ser instalada. Até o momento, já tem 7 assinaturas (PSOL, PT, PCdoB, Rede e dois vereadores do PDT).
Posicionamento oficial
- Prefeitura de Olinda (nota divulgada às 10h30): “O volume de lixo superou todas as projeções. A coleta operou 24 horas, mas a quantidade gerada foi excepcional. Estamos contratando força-tarefa extra para limpeza emergencial até o fim da semana. A dívida com a terceirizada está em negociação e será quitada em breve.”
- Empresa terceirizada (Consórcio Olinda Limpa): Afirma que “parou de receber há quatro meses” e que “não tinha condições financeiras de manter frota completa durante o Carnaval”. Ameaçou paralisação total a partir de março caso não haja acordo.
- Secretário de Serviços Públicos, João da Mata: “Foi um Carnaval atípico. Vamos rever o plano de limpeza para 2027 e buscar recursos emergenciais no Estado e na União.”
A imagem de Olinda — Patrimônio Cultural da Humanidade — associada a chorume, lixo acumulado e risco sanitário gerou constrangimento nacional e internacional. A cidade, que depende do turismo de Carnaval para boa parte da economia local, agora enfrenta pressão para limpar não só as ruas, mas também sua reputação.
O Jornal 25News acompanhará a tramitação do pedido de CPI na Câmara de Olinda, o pagamento (ou não) da dívida com a terceirizada e a evolução da limpeza emergencial. Porque, quando o frevo para e o lixo fica, o que sobra não é só chorume nas ladeiras — é o risco de transformar uma festa centenária em símbolo de descaso público. Em 2026, Olinda tenta lavar a própria imagem antes que o cheiro de descaso se torne eterno.
Apoio Institucional
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