Centro Histórico da Cidade de São Paulo, Sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
💻⚡ Santa Ifigênia em Transformação: do templo dos eletrônicos ao varejo digital híbrido
Com menos lojas, mais online e novos projetos urbanos, o coração tech do Centro tenta se reinventar
Por João Gabriel| Jornal25News – Independente

A tradicional Santa Ifigênia, famosa por décadas como o paraíso dos eletrônicos em São Paulo, está passando por uma virada de chave. O combo de e-commerce bombando, aluguéis altos, impactos da Cracolândia e falta de inovação urbana forçou o bairro a mudar — ou ficar para trás.
Segundo Fábio Zorzo, fundador da InPower e diretor da União Santa Ifigênia (USI), a região foi berço da digitalização de muitas empresas, mas hoje sofre com a mentalidade antiga de parte dos proprietários e a ausência de um plano moderno de revitalização. O resultado? Menos gente na rua, mais vendas pela internet.
📉 Os números do baque
- Lojas em atividade: 5 mil (há 10 anos eram 15 mil)
- Vacância de imóveis: 40%
- Cerca de 80% das vendas já passam pelo digital
A concorrência com marketplaces e a sensação de insegurança no Centro também pesam. Ainda assim, a maioria dos lojistas não desistiu: migrou para o online, apostou em redes sociais e até em lives de vendas.
Zorzo é um exemplo disso. Hoje, 90% das vendas do negócio dele vêm do digital. No Instagram, a loja soma quase 50 mil seguidores e usa live shop para demonstrar produtos ao vivo. “É um movimento natural do varejo”, diz. “Já enfrentamos shoppings, depois a internet. Agora é adaptação.”
🏪 Loja física ainda importa — mas mudou de função
Mesmo com a virada digital, a loja física não morreu. Ela virou experiência, serviço e confiança. Zorzo aposta em eventos presenciais (como para o público gamer) e destaca um nicho que segue forte: conserto e assistência técnica, algo que o e-commerce não substitui 100%.
Outra tendência são as lojas-conceito: menos estoque, mais marca, atendimento consultivo e relacionamento.
💡 Iluminação, tradição e resiliência
Um setor que segue firme é o de iluminação, por oferecer uma experiência de compra mais sensorial. Entre os exemplos está a Santil, dirigida por Felipe Abduch. A família dele está na Santa Ifigênia há quase 50 anos.
Abduch reconhece que o bairro sofreu por décadas com publicidade negativa ligada à Cracolândia, mas afirma que o policiamento melhorou e que o estigma começa a perder força. Mesmo assim, o consumidor mudou: hoje, 50% do faturamento da Santil vem de vendas a distância.
“O Mercado Livre e os marketplaces reinam pelo acesso rápido. Isso atinge todo mundo, da Santa Ifigênia à Oscar Freire”, resume.
Para ele, o futuro é híbrido: online + físico + atendimento técnico (inclusive via WhatsApp). “O cliente quer saber se a loja existe de verdade. Isso gera confiança.”
🏙️ Urbanismo, segurança e futuro
Após a pandemia, a concentração de usuários de drogas se intensificou e afastou clientes. Arrastões e violência agravaram a crise, até a chegada de mais policiamento. Mas, para a USI, só segurança não resolve.
A aposta é grande: transformar a Santa Ifigênia em polo de inovação e tecnologia, aproveitando a superlocalização (metrô e trem a até 30 minutos de quase toda a cidade). A ideia inclui integrar ETECs, startups e comércio de rua, usando o varejo como motor social e cultural.
Projetos apresentados ao poder público incluem:
- Nova Santa Ifigênia: foco em turismo de compras e reinserção social
- Muralha Virtual: rede de câmeras nas entradas e pontos estratégicos do bairro
Apesar do IPTU alto e da vacância, Zorzo segue otimista: a transferência do Centro Administrativo do governo estadual para a região pode trazer novo fluxo de pessoas. “Dá para sair da desgraça e ir para a roda da fortuna — mas precisa de braço político.”
☕ Um respiro no meio do caos
No meio do corre dos eletrônicos, surgiu um contraponto: a cafeteria Havanna. A empresária Cláudia Nagasawa percebeu que faltava um espaço confortável para reuniões e acompanhantes.
Com investimento de R$ 500 mil, ela abriu a unidade em 2021. O começo foi promissor, mas a crise de segurança derrubou o movimento em 60% em 2022. Agora, o fluxo volta aos poucos.
Cláudia acredita no “trabalho de formiguinha” dos lojistas, na união com o poder público, no policiamento mais presente e nas calçadas reformadas, que dão mais visibilidade às lojas.
“Com mais conforto e segurança, a Santa Ifigênia pode unir tradição, tecnologia e acolhimento de novo”, afirma.
Fonte: Matéria original do Diário do Comércio de SP
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