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Chefe de investigações acusado de extorsão é sobrinho de líder da Corregedoria

Prisoes e relações familiares levantam questionamentos

Pedro Valentini por Pedro Valentini
20 de dezembro de 2024
em Polícia
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Chefe de investigações acusado de extorsão é sobrinho de líder da Corregedoria

Dinheiro e armas apreendidos na Operação Tacitus, que expôs vínculos entre policiais e o PCC.

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Eduardo Lopes Monteiro, chefe de investigações da Polícia Civil de São Paulo, foi detido na última terça-feira (17), em Bragança Paulista, no interior do estado. Ele é acusado de colaborar com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e de usar laços familiares para se proteger de investigações. Monteiro é sobrinho de Rosemeire Monteiro de Francisco Ibañez, chefe da Corregedoria Geral da Polícia Civil, órgão responsável por supervisionar e apurar condutas de policiais.

Conforme informações da Polícia Federal (PF), Monteiro teria citado seu parentesco como uma forma de evitar apurações. O depoimento de Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, delator do PCC assassinado em 8 de novembro no Aeroporto Internacional de Guarulhos, alega que Monteiro se apropriou ilegalmente de bens do delator, incluindo dinheiro, relógios e computadores, durante sua detenção.

Lavagem de dinheiro e movimentações financeiras suspeitas

A investigação também aponta indícios de lavagem de dinheiro por parte de Monteiro, incluindo:

  • Movimentação de valores incompatíveis com sua renda e ocupação profissional;
  • Depósitos em contas com histórico de baixa movimentação;
  • Transações imobiliárias com valores declarados abaixo do mercado.

O suspeito é sócio de duas empresas – MD Construções e Baronesa Motors Ltda. – que podem ter sido usadas para ocultar a origem ilícita de bens e valores. Antes de ingressar na Polícia Civil, Monteiro atuou no 8º Batalhão da Polícia Militar.

Operação conjunta e outras prisões

A prisão de Monteiro integra a Operação Tacitus, conduzida pela PF e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil. Ao todo, oito pessoas foram presas, incluindo quatro policiais civis. Outros 13 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em cidades como São Paulo, Bragança Paulista, Igaratá e Ubatuba.

Entre os presos estão Fábio Baena, ex-delegado acusado de extorsão pelo delator Gritzbach, e outros policiais identificados como Marcelo Ruggeri, Marcelo “Bombom” Marques de Souza, Ademir Pereira Andrade e Ahmed Hassan. Rogério de Almeida Felício, policial civil e também suspeito, segue foragido. Felício também atua como segurança do cantor Gusttavo Lima.

As investigações apontam que o grupo manipulava e vazava investigações policiais, além de vender proteção a criminosos. Também foram registrados desvios relacionados a esquemas de lavagem de dinheiro do PCC, com movimentações que superam R$ 100 milhões desde 2018.

Respostas das autoridades

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo declarou que “a instituição não compactua com desvios de conduta e adotará as medidas necessárias caso irregularidades sejam comprovadas”. A Corregedoria também afirmou que acompanha os desdobramentos e colabora com as investigações.

Os presos foram levados à carceragem da PF em São Paulo, onde passaram por audiências de custódia. Aqueles que tiverem as prisões mantidas serão transferidos para o presídio da Polícia Civil. Os demais responderão em unidades prisionais comuns.

Os advogados de Fábio Baena e Eduardo Monteiro classificaram as prisões como “arbitrárias”, alegando que os fatos investigados já haviam sido arquivados pela Justiça. A defesa de Marcelo Ruggeri declarou que considera a prisão prematura. A reportagem não conseguiu contato com os advogados dos demais presos.

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