
Vinicius de Lima Britto responderá por homicídio triplamente qualificado; ação ocorreu após furto de três embalagens de sabão
O policial militar Vinicius de Lima Britto, que atirou 11 vezes pelas costas em Gabriel Renan da Silva Soares, jovem negro de 26 anos, foi preso nesta sexta-feira (6/12) e será conduzido ao Presídio Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. O crime aconteceu no dia 3 de novembro, na zona sul da capital, após Gabriel furtar três embalagens de sabão de um mercado na Avenida Cupecê, no bairro Jardim Prudência.
De acordo com o laudo, o jovem foi atingido por tiros que acertaram o tórax, o rosto, o ouvido e diversas partes dos braços e mãos, enquanto fugia do local. Câmeras de segurança flagraram o momento em que Gabriel escorrega e cai, sendo alvejado em seguida pelo policial.
A prisão preventiva de Britto foi decretada na quinta-feira (5/12) pela juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreira, da 5ª Vara do Júri, que classificou a conduta do PM como um claro abuso de autoridade. Segundo a magistrada, manter Britto em liberdade poderia interferir nas investigações, já que sua posição de poder poderia dificultar a coleta de provas e depoimentos.
Resposta da Justiça e da família
O Ministério Público de São Paulo denunciou Britto por homicídio triplamente qualificado, destacando que o crime foi cometido por motivo fútil, com uso de recurso que impediu a defesa da vítima e colocando em risco a segurança de terceiros. A promotoria também reforçou que o policial agiu com “animus necandi” — a intenção clara de matar.
Para a advogada da família de Gabriel, Fatima Taddeo, a prisão do PM é um passo importante rumo à justiça. “É um alívio saber que ele foi detido. Esperamos que ele seja expulso da corporação e que isso sirva de exemplo para que essa violência contra jovens negros nas periferias não se repita”, declarou.
O caso gerou indignação e reforçou debates sobre violência policial e racismo estrutural no Brasil, temas que seguem exigindo respostas urgentes das autoridades e da sociedade.



