O futuro das ruas de São Paulo está em jogo! A possível venda de uma travessa nos Jardins para a iniciativa privada acendeu um debate urgente sobre a identidade da cidade. O arquiteto e urbanista Valter Caldana, professor do Mackenzie, alerta: ao vender suas ruas, São Paulo está abrindo mão da própria identidade! Para ele, a decisão de alienar ruas não é para fazer uma cidade melhor, mas para “fazer um lote maior” para empreendimentos de luxo!
O Que Está Acontecendo nos Jardins?

A polêmica começou com a Travessa Engenheiro Antônio de Souza Barros Júnior, nos Jardins. A incorporadora Helbor solicitou a compra do endereço à Prefeitura de São Paulo, que deu o aval para seguir adiante com o projeto de venda, prevendo receber R$ 16 milhões pelo espaço.
- O Problema Simbólico: Para Caldana, o problema é estrutural e simbólico. “Em toda cidade do mundo os prédios vão mudando a cara, a cor, o uso, mas o arruamento é perene.” Quando a cidade entende que o seu espaço público é algo vendável, um produto mercantil, ela está abrindo mão da sua própria identidade.
- A Contradição: O objetivo da Helbor é construir um empreendimento de luxo, utilizando o terreno por completo. O arquiteto questiona a lógica: “Não está se vendendo a rua para se fazer uma cidade melhor, mas para fazer um lote maior. Essa é a questão estrutural.”
O Risco de Banalizar a Venda de Ruas!

O debate sobre a travessa nos Jardins levou a uma série de emendas ao projeto original do PL 673/2025, de autoria do vereador da base do governo Ricardo Nunes, que autorizavam a venda de outras ruas e terrenos públicos da cidade, em bairros como Vila Olímpia, Vila Andrade e Santo Amaro.
- A Banalização: Caldana alerta para o precedente perigoso que a venda da primeira rua abre: “Na medida em que se abriu o precedente e um caminho normativo para fazer, vai ser uma prática comum”. Ele teme que as ruas da cidade comecem a desaparecer, de vielinhas a ruas inteiras.
- A Cidade do Século XXI: O arquiteto defende que as ruas devem ser entendidas como um espaço de convivência e cidadania. “A cidade do século XXI é a cidade do lote para fora, da relação entre o edifício e a própria rua”, afirma Caldana. Abrir mão dessas áreas de convívio é retroceder para uma cidade do século passado!
A venda da travessa nos Jardins é alvo de uma ação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que tenta suspender a medida de forma cautelar. A decisão final da Justiça definirá se a cidade de São Paulo vai ou não abrir mão de sua identidade em troca de lotes maiores.
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