O Conselho Deliberativo do Corinthians se reúne nesta segunda-feira (2) no Parque São Jorge para decidir o futuro de Augusto Melo como presidente do clube. A votação do impeachment promete agitar o cenário político corintiano e pode resultar na destituição imediata do dirigente. Entenda os detalhes do processo e as possíveis consequências.
Quem participa da reunião?
O encontro reunirá os cerca de 300 membros do Conselho Deliberativo, composto por 200 conselheiros trienais e 100 vitalícios. Em votações importantes como esta, a presença costuma girar em torno de 250 participantes.
Como será a reunião?
A reunião está marcada para as 18h, mas pode atrasar. A previsão é de que dure entre duas e três horas.
Por determinação do estatuto do clube, o presidente da Comissão de Ética e Disciplina, Roberson Medeiros, abrirá os trabalhos com uma apresentação de até 30 minutos. Ele defenderá a suspensão ou arquivamento do processo até que se conclua o inquérito policial sobre o contrato de patrocínio entre o Corinthians e a VaideBet, ponto central das acusações contra Augusto Melo.
Em seguida, o próprio Augusto Melo ou um representante terá o mesmo tempo para apresentar sua defesa. Outros envolvidos no processo, como membros da Comissão Jurídica e representantes do grupo que protocolou o pedido de impeachment, também poderão se manifestar.
A votação será realizada por cédula de papel, com sigilo garantido pelo estatuto, apesar de pedidos para que fosse nominal. A apuração ocorrerá imediatamente após o término da votação.
O que acontece se o impeachment for aprovado?
Caso a maioria dos conselheiros vote pela destituição, Augusto Melo será afastado do cargo imediatamente, sendo substituído pelo vice-presidente, Osmar Stábile.
No entanto, o afastamento definitivo dependerá de uma votação dos sócios do clube, convocada pelo presidente do Conselho em até cinco dias. Essa assembleia, sem prazo exato para ocorrer, deve ser marcada para janeiro. Se os sócios rejeitarem o impeachment, Augusto reassume a presidência. Caso contrário, o Conselho Deliberativo será convocado para eleger um novo presidente entre seus próprios membros.
Quais são as acusações contra Augusto Melo?
O pedido de impeachment se baseia em possíveis irregularidades no contrato de patrocínio com a VaideBet, ainda sob investigação policial. O documento protocolado por conselheiros acusa o presidente de prejudicar a imagem do clube e infringir normas do estatuto e da Lei Geral do Esporte.
O estatuto do Corinthians prevê impeachment em casos como:
- Crime infamante com condenação definitiva;
- Prejuízo considerável ao patrimônio ou imagem do clube;
- Reprovação das contas da gestão;
- Violação de normas estatutárias;
- Gestão irregular ou temerária.
Apesar de a Comissão de Ética ter recomendado o arquivamento temporário do caso, a decisão final caberá aos conselheiros nesta noite.
O resultado da votação marcará um momento crucial para o Corinthians, seja para manter Augusto Melo na presidência, seja para iniciar um novo capítulo na história do clube.
A votação desta segunda-feira não apenas coloca Augusto Melo no centro do debate, mas também levanta questionamentos sobre a atuação dos conselheiros e do presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Júnior. Muitos dos que hoje julgam a gestão de Augusto permaneceram em silêncio durante os 16 anos em que Andrés Sanchez e a chapa Renovação e Transparência comandaram o Corinthians. Nesse período, o clube acumulou mais de R$ 2 bilhões em dívidas, um legado que ainda impacta fortemente as finanças e a reputação da instituição. A reunião de hoje, portanto, não é apenas sobre o futuro imediato, mas também sobre a responsabilidade histórica daqueles que compõem o conselho.























































