A incrível história da Coreia do Norte na Copa do Mundo de 1966: a maior zebra da história?
Uma seleção desconhecida que chocou o mundo
Centro Histórico da Cidade de São Paulo, segunda-feira, 8 de junho de 2026
Por Arianne Marcovicchio | Jornal25News – Independente

Quando a bola começou a rolar na Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, quase ninguém apostava na seleção da Coreia do Norte. Estreante em Mundiais e representante de um continente que ainda tinha pouca tradição no futebol internacional, os norte-coreanos chegaram ao torneio como completos azarões.
Mas o que aconteceu nas semanas seguintes transformou aquela equipe em uma das maiores surpresas da história das Copas do Mundo. Até hoje, a campanha norte-coreana é lembrada como uma das mais impressionantes já realizadas por uma seleção considerada tão inferior aos seus adversários.
O início difícil
A Coreia do Norte caiu no Grupo 4, ao lado de Itália, Chile e União Soviética.
A estreia foi complicada: derrota por 3 a 0 para os soviéticos. No segundo jogo, os asiáticos arrancaram um empate por 1 a 1 contra o Chile, conquistando seu primeiro ponto em Copas do Mundo. Com isso, chegaram à última rodada precisando vencer a poderosa Itália para sonhar com a classificação.
O dia que a Itália caiu
Em 19 de julho de 1966, no estádio Ayresome Park, em Middlesbrough, aconteceu um dos resultados mais surpreendentes da história do futebol.
A Itália era bicampeã mundial e precisava apenas de um empate para avançar às quartas de final. A Coreia do Norte, por outro lado, precisava vencer.
Aos 42 minutos do primeiro tempo, Pak Doo-ik marcou o único gol da partida. O placar de 1 a 0 foi mantido até o apito final, eliminando os italianos ainda na fase de grupos. A derrota foi tão impactante que se tornou um dos maiores vexames da história do futebol italiano.
Segundo relatos da época, os jogadores italianos foram recebidos em casa sob fortes críticas, enquanto os norte-coreanos viraram heróis inesperados na Inglaterra.
Os “queridinhos” dos ingleses
A façanha contra a Itália conquistou a simpatia do público britânico.
A cidade de Middlesbrough, onde a equipe estava baseada, adotou a seleção norte-coreana como sua favorita. Torcedores locais passaram a apoiar os asiáticos, criando uma ligação rara entre uma seleção estrangeira e a população inglesa.
Décadas depois, essa amizade continuaria sendo celebrada em documentários e eventos que recordam a campanha histórica de 1966.
A partida mais emocionante da Copa
Nas quartas de final, a Coreia do Norte enfrentou Portugal, liderado pelo craque Eusébio.
O que parecia ser o fim da aventura norte-coreana virou outro capítulo inesquecível. Em apenas 25 minutos, os asiáticos abriram incríveis 3 a 0 no placar, deixando o mundo em choque novamente.

Porém, Eusébio protagonizou uma das maiores atuações individuais da história das Copas. O português marcou quatro gols e liderou a reação portuguesa. Portugal virou para 5 a 3 e eliminou a surpreendente Coreia do Norte.
Mesmo derrotados, os norte-coreanos saíram de campo aplaudidos e respeitados por torcedores e jornalistas.
Um feito que entrou para a história
A campanha de 1966 marcou diversos feitos históricos:
- Primeira seleção asiática a chegar às quartas de final de uma Copa do Mundo.
- Primeira seleção asiática a vencer uma partida em Mundiais.
- Responsável pela eliminação da poderosa Itália.
- Protagonista de uma das maiores zebras da história do torneio.
A Coreia do Norte só voltaria a disputar uma Copa do Mundo em 2010, na África do Sul, mas não conseguiu repetir o desempenho histórico de 1966.
Legado eterno
Embora não tenha conquistado o título, a seleção norte-coreana de 1966 provou que o futebol é capaz de desafiar qualquer previsão. Em uma época dominada pelas grandes potências europeias e sul-americanas, um grupo de jogadores praticamente desconhecidos escreveu uma das histórias mais fascinantes já vistas em uma Copa do Mundo.
Quase seis décadas depois, a vitória sobre a Itália e a batalha épica contra Portugal continuam sendo lembradas como símbolos da magia e da imprevisibilidade que tornam a Copa do Mundo o maior espetáculo do futebol.



















































