Centro Histórico de São Paulo, 19 de maio de 2026.
A disputa pelo direito à moradia digna na maior metrópole da América Latina, acaba de ganhar um capítulo dramático nos tribunais.
O juiz Evandro Carlos de Oliveira, da 7ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo, determinou ontem um prazo improrrogável de 5 dias, para que a Câmara Municipal de São Paulo e o vereador Rubinho Nunes (União Brasil), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Habitação de Interesse Social (HIS), prestem esclarecimentos oficiais sobre o encerramento antecipado e suspeito dos trabalhos da comissão.
A decisão judicial, atende a um mandado de segurança impetrado pelo vereador Nabil Bonduki (PT), vice-presidente da CPI, que acusa a presidência do colegiado, de promover um verdadeiro “atropelo” regimental para blindar grandes construtoras e abafar investigações sobre o desvio de milhares de apartamentos populares, subsidiados para o mercado de luxo.
O FATO PRINCIPAL: A CPI da Habitação de Interesse Social, foi instaurada com um objetivo urgente: investigar como apartamentos construídos sob as regras e benefícios fiscais da HIS — destinados exclusivamente a famílias com renda de até 3 salários mínimos — acabaram sendo comercializados como estúdios de luxo e flats para investidores de alta renda em bairros nobres.
No entanto, antes que os principais executivos do setor imobiliário e secretários municipais fossem ouvidos, a presidência da comissão encerrou as atividades de forma repentina. A manobra política gerou revolta e levou a oposição a recorrer ao Poder Judiciário.
A determinação do magistrado, exige que a Câmara explique as razões formais do encerramento e se houve violação do direito das minorias parlamentares de concluir investigações de interesse público.
A ENGRENAGEM DO DESVIO: O esquema investigado pela CPI, escancara como a engrenagem da especulação imobiliária, se aproveita de brechas criadas pelo próprio Plano Diretor da cidade. Para incentivar a habitação popular, a Prefeitura concede outorgas onerosas gratuitas e isenções fiscais a construtoras, que se comprometem a erguer moradias de interesse social.
A fraude ocorre na ponta da linha: valendo-se da falta de fiscalização crônica do poder público, incorporadoras vendem essas unidades com metragens reduzidas (os famosos estúdios de 18 a 25(metros quadrados), para investidores individuais. Estes, por sua vez, alugam os imóveis por plataformas digitais para o público de classe média-alta.
Enquanto as construtoras embolsam lucros recordes utilizando benefícios que deveriam reduzir o déficit habitacional da periferia, as famílias de baixa renda continuam na fila de espera da Cohab ou são empurradas para ocupações informais e áreas de risco.
VOZES DA CIDADE: “O que assistimos na Câmara de São Paulo foi um desrespeito com a população mais vulnerável. Não podemos aceitar que recursos e incentivos públicos, destinados a combater a crise de moradia, sejam sequestrados para inflar os lucros do mercado imobiliário sob a conivência de vereadores aliados das construtoras”, dispara um representante dos movimentos de moradia do centro da capital.
O vereador Nabil Bonduki, autor da ação que paralisou a manobra parlamentar, defende que o encerramento foi uma tentativa deliberada de blindagem.
“Havia requerimentos cruciais para convocar empresas que lucraram bilhões fraudando as cotas de HIS. Encerrar a CPI, sem ouvir essas partes e sem apresentar um relatório robusto, é um escárnio contra o cidadão paulistano”, declarou o parlamentar.

Por outro lado, o presidente da comissão, Rubinho Nunes, alega nos bastidores que os trabalhos já haviam cumprido seu papel fiscalizatório e que a comissão não poderia ser usada como “palanque eleitoral”.
DADOS OFICIAIS:
- Prazo Judicial: 5 dias úteis para manifestação da Câmara Municipal.
- Autor da Decisão: Juiz Evandro Carlos de Oliveira (7ª Vara de Fazenda Pública).
- Foco da CPI: Desvio de finalidade na venda de unidades de HIS (Habitação de Interesse Social).
- Público-Alvo Original: Famílias com renda familiar de 1 a 3 salários mínimos.
- Déficit Habitacional em SP: Estimado em mais de 360 mil moradias na Região Metropolitana.
O RIGOR DA JUSTIÇA: A intervenção do Poder Judiciário na Câmara de São Paulo, é um lembrete severo, de que o Legislativo não é um feudo privado acima do rigor da lei.
Abafar investigações que envolvem o desvio de incentivos urbanísticos milionários, é uma afronta ao bolso e à dignidade do trabalhador paulistano, que financia a infraestrutura da cidade por meio de seus impostos.
O déficit de moradia não é uma questão abstrata; ele se traduz em milhares de famílias sem endereço e no encarecimento abusivo do aluguel em todas as regiões da capital.
Se a Câmara se curvar ao lobby das grandes construtoras, em detrimento da fiscalização da moradia popular, ela abrirá mão de sua própria razão de existir como casa do povo.
💡 DICA DO EDITOR: “Para acompanhar de perto o andamento desse processo e o destino das moradias populares da nossa cidade, consulte o Diário Oficial do Município e o portal da Câmara de São Paulo.
Se você desconfia que um empreendimento de luxo na sua região, foi construído utilizando ilegalmente cotas de HIS (Habitação de Interesse Social), denuncie diretamente ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) ou por meio dos canais de ouvidoria da Prefeitura pelo telefone 156.”
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